Brasil, São Paulo

10 coisas para fazer na Vila Madalena

Quando eu tinha uns 12 pra 13 anos, morava na Rua Rodésia (onde hoje é um prédio caro) a andava muito pela Vila Madalena. Ia caminhando, por exemplo, pra casa da minha amiga da escola, que ficava naquela vila que tem no começo da Simão Alvares. Descia o escadão da Fidalga, pegava a Fradique até a Mourato e passava pela esquina da Aspicuelta. Essa esquina hoje é a sucursal do inferno, mas na época era só mais uma esquina da Vila. O primeiro bar do tipo moderninho que apareceu foi bem ali e chamava Ovídio. Foi capa da Veja SP na época, descrevendo a região como “a irmã mais nova e meio hippie do bairro de Pinheiros”. Essa irmã hoje é uma moça histérica, que enche a cara com cerveja em latão e catuaba morna pra depois fazer xixi atrás da bomba do posto de gasolina da Wizard, mas há mais sobre a Vila Madalena do que supõe quem vem pra cá tocar terror nos barzinhos.

Ainda ando muito pela Vila. Não tenho carro, faço quase tudo a pé. Tem dias que não reconheço meu bairro, é claro. Mas a culpa não é só dos bares. É dos prédios feios esmagando as casas. De loja vendendo camiseta de algodão de trezentos reais. Dessas garrafas PET com plantinha amarradas nos postes de luz. Da padaria hipster que serve torrada com guacamole. Daquele bar com temática rock’n’roll pra tiozão rico. Da galera da firma voltando do almoço, todo mundo com crachá pendurado, fechando a calçada.

Mas pesar dos pesares, aqui ainda é minha área. “A Vila Madalena não é só vida noturna. Os moradores vão à feira, consertam o carro, se exercitam ao ar livre ou simplesmente observam o movimento da rua,” lembra o senhorzinho dono da mercearia aqui perto de casa, nessa entrevista pro projeto Viva Madalena.

A Vila Madalena tem vários lugares para não ir, é verdade. Mas também tem muitas coisas para amar. Abaixo depois da foto, uma lista de dez coisas legais para fazer na área.

A Rua Original na década de 1940. Foto: Projeto Viva Madalena.

A Rua Original na década de 1940. Foto: Projeto Viva Madalena.

Para comprar comida: Instituto Chão

O Instituto Chão funciona assim: os produtos (frutas, legumes, grãos, sucos) vêm direto dos produtores para a loja são repassados aos consumidores pelo preço de custo. Na hora de pagar existe uma contribuição sugerida, que varia a cada mês, e que vai para a manutenção do espaço. Não é exatamente prático, as filas são grandes e o atendimento demora. Mas no bolso vale a pena. Também vale a pena porque o espaço é uma delícia, sempre tem coisas frescas de boa procedência. Agora que começou a abrir às 08h, melhor ainda.

Para comer doce: Marilia Zylbersztajn

Na frente da Livraria da Vila fica o melhor lugar pra matar lariquinha de doce. A Marília faz tortas maravilhosas. Muda toda a semana, e o hit é a torta de castanhas. A de amêndoas também é demais. E se você der sorte no dia e encontrar essa abaixo, de limão, peça para levar pra casa. As balinhas açucaradas de laranja também são fantásticas e dão um bom presente.

 

Para tomar chá: Bistrô Ô Chá

Essa casa portuguesa ficava na esquina de baixo, fechou e reabriu no andar de cima de um sobrado ali ao lado da Antes de Paris. É um dos meus lugares preferidos pra encontrar amigas e matar tempo. Tem todo tipo de chá, e eles vêm em lindos bules de cerâmica. Pode ficar à vontade para pedir sugestões e cheirar os chás antes de decidir. Nos fundos tem uma loja os os chás embalados para levar pra casa.

Para tomar cerveja: Sagarana

O boteco com carta de cervejas artesanais/especiais começou na Vila Romana, abriu uma filial na Aspicuelta com Girassol e depois uma terceira casa na esquina da frente, onde só se serve chope, junto dos hits do cardápio como bolinhos fritos, a porção de tilápia defumada e as cachaças. O que eu achei do Sagarana ter não um, mas dois bares diferentes do lado da minha casa? Muito bom, obrigada. Se você é da cerveja, vale seguir os caras no Instagram, porque eles sempre avisam as cervejas especiais que chegaram e as que estão em promoção.

Bora virar o tema?

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Para pizza: Carlos

Pizza como se come na Itália: individual, com as mãos. Sou meio purista da pizza e prefiro as mais simples, como marguerita, mas há sempre vários sabores, que entram e saem do cardápio conforme a disponibilidade. Pra acompanhar, cervejas. Curiosidade: muito antes de ser um estabelecimento comercial, aqui morou uma amiga da minha mãe!

Nova pizza com burrata!

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Para comprar flores: A Bela do Dia

Tem coisa mais gostosa que casa com flores? Conheci a Bela do Dia quando a gente repartia um co-working na Mourato Coelho. Elas (são todas mulheres, ou pelo menos eram) fazem arranjos lindos e entregam de bike na região.

Para música: Casa do Mancha

Resistência. Já escrevi sobre, leia aqui e pratique o inglês.

Ta bunitim esse palquinho viu!

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#AjudaLuciano! Sabe o que não sei e queria muito saber? Um lugar pra tomar vinho na Vila. Agradeço muito quem quiser mandar dica aqui ou no twitter. Pode entrar na próxima lista :D Obrigada!

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