Prosa

Quanto tempo faz que você não manda um cartão-postal?

Cartão-postal Indochina (Conchinchine Postcard)

Tenho uma porção de cartões postais em casa. Mando cartões para casa durante viagem quando dá tempo, às vezes pro meu filho e às vezes pra mim mesma. Comprar um cartão é sempre fácil, qualquer lugar tem. Já enviar, nem tanto. Dependendo do lugar, o ato de selar um cartão e colocar no correio pode ser tão simples quanto comprar um café (na Itália, por exemplo, você pode selar o cartão postal assim que compra numa banca de jornal) ou envolver encontrar uma agência e pegar uma fila.

Também tenho uns cartões postais antigos, que mostram como os lugares eram antes. Uns do centro de São Paulo, de Buenos Aires, de Cusco. Mas postais que recebi de outras pessoas, desses tenho bem menos e a maioria são antigos. Por quê? Pelo mesmo motivo que as pessoas não mandam mais cartas. Ficou pra trás. É uma pena, porque escolher e escrever um cartão-postal já foi parte de viajar e é uma arte. Requer sensibilidade (“será que fulana/o vai gostar desse?”), assunto (“o que tenho pra contar?”) e planejamento (“mas cabe nesse espaço? escrevo na horizontal ou vertical? será que o selo vai ficar por cima?”).

A história dos cartões postais está, claro, ligada à história dos selos e carimbos postais. Antes de se tornar um souvenir de viagem, o cartão-postal foi uma forma de baratear o custo do envio de cartas privadas. Já vieram dentro de envelopes e já foram impressos em linho. Os cartões como os conhecemos hoje, com fotografias, são basicamente uma criação americana do fim dos anos 1930. Se você quiser saber mais sobre a história dos cartões postais (e ver uns exemplos lindos de cartões antigos) leia no site do Smithsonian.

Cartões Postais Gaía Passarelli

Tem muito mais de onde esses vieram!

Mas antes de tudo, um cartão-postal é prova de que você pensou na pessoa que vai receber. É afetivo. Então a próxima vez que alguém pedir aquele pote de hidratante com cheiro de amora ou uma garrafa de bebida, sinta-se à vontade para declinar com gentileza oferecendo um cartão-postal no lugar. Não é a mesma coisa, claro. É muito mais legal. Esse dura pra sempre.

Como enviar?

Selar e postar é diferente em casa local, mas qualquer cidade turística vende cartões postais em bancas de revistas, papelarias, livrarias, estações. Também existem sites e apps criativos para transformar suas próprias fotos em cartões e enviar. O Cards In the Post é faz isso e é bem simpático. Já os Correios brasileiros tem um sistema online pra envio de cartões com temática “tropical” por preços bastante camaradas.

Os amigos do Fotostrasse, em Berlim, também amam postais e recomendam o MyPostcard. Nesse link tem um código de desconto pra quem quiser experimentar.

Leia também

Semana passada uma das minhas escritoras online preferidas, a Pam Mendel, de Seattle, fez uma pequena declaração de amor à arte perdida de enviar postais. Na verdade são menções aos cartões que ela escreveu em viagens, escondidas nesse (ótimo) post que não é sobre exatamente sobre cartão-postal, mas sobre travel writing, ou melhor, sobre como não existe uma formação específica para escrever.

Cuba Postcard Gaía 2008