Comida, São Paulo

Roteiro: como conhecer o centro de São Paulo

Onde você levaria um amigo em visita a São Paulo? Clichê, sim. Mas dos bons! Perguntei no twitter e facebook e nas respostas deu muita Avenida Paulista e gracinha tipo “leva num congestionamento na Marginal Tietê”. Mas deu principalmente o centro de São Paulo.

Afinal, uma cidade se conhece pelo centro.

Com isso na cabeça, tive a paciência de montar um mapa para que você possa subverter e conhecer o centrão como quiser. Tem um roteiro para fazer a pé, mas sugestões para escapadas. A idéia é um rolê sem carro, para fazer caminhando, por que é esse melhor jeito de conhecer qualquer cidade. Se cansar, tudo bem: a oferta de ônibus, metrô e táxi no centro é bastante ampla. E quase tudo fica aberto aos sábados e domingos, quando o centro fica ótimo para pedalar.

*** Fiquei sabendo que o Banespão está fechado! Não vou alterar o roteiro, porque vai que uma hora reabre. Mas vale pular essa parte e ir direto pro Martinelli. Obrigada pelo toque Andre/Viagem Criativa.

MANHÃ

Seu dia no centrão vai começar perto da Estação da Luz, comendo bureka de queijo e bebendo suco de maçã na Casa Búlgara, lanchonete familiar que ocupa o mesmo imóvel desde 1975 no coração do movimentado bairro do Bom Retiro.
* Também na área: Café Colombiano. O nome é auto-explicativo e o café é ótimo.

Caminhe até o Parque Jardim da Luz, que foi o primeiro inaugurado na cidade, e gaste uma hora na Pinacoteca do Estado. Nem que seja para apreciar a arquitetura.
* Também na área: Sala São Paulo (a linda sala de concertos da cidade, uma das melhores da América), Memorial da Resistência (também conhecido como “Museu do Dops”), Museu de Arte Sacra (com obras religiosas do tempo da colônia), Museu da Língua Portuguesa (todo moderno, a visita é rápida e impressionante). Detalhes nesse post: Cinco passeios no entorno da Estação da Luz.

Pinacoteca por dentro. Foto: victortsu via flickr.

Pinacoteca por dentro. Foto: victortsu via flickr.

ALMOÇO

Suba a Ipiranga até Praça da República, atravesse a São Luiz e almoce no recém-aberto La Central, uma taquería dentro do prédio cartão-postal da cidade: o Edifício Copan. Também dentro do Copan fica o excelente Dona Onça, que pede um pouco mais de tempo e dinheiro. E logo ali na São Luiz fica o Paribar, com sua “gastronomia boêmia” de inspiração paulistana.
* Também na área: Fuentes (tradicional espanhol), Riconcito Peruano e Tradiciones Peruanas (comida peruana barata e rápida), Habib Ali (árabe), o Pasv e o Ita (comida boa e farta, dos mais antigos do centro).

As curvas do Copan. Foto: Thomas Hobbs via flickr.

As curvas do Copan. Foto: Thomas Hobbs via flickr.

CAFÉ

Tome café dentro do Theatro Municipal e faça a digestão visitando as lojas de discos da Galeria Nova Barão. Tem para todos os gostos: de indie a classic rock, de funk antigo a MPB.
* Também na área: Biblioteca Mário de Andrade, marco do modernismo arquitetônico paulistano.

Mural na entrada da Galeria Nova Barão, por Bramante Buffoni. Foto: Arte Fora do Museu via flickr.

Mural na entrada da Galeria Nova Barão, por Bramante Buffoni. Foto: Arte Fora do Museu via flickr.

TARDE

Quem gosta do Theatro Municipal vai amar a sede dos Correios que fica ali perto, onde a Avenida São João encontra o Anhangabaú. Até 17 de março o local exibe uma mostra sobre o Escritório Ramos de Azevedo, responsável por muitos dos imponentes prédios públicos do centro velho. Na saída, suba no Viaduto do Chá e passe na frente do Banespinha, nome simpático para o Edifício Matarazzo, atual sede da Prefeitura de São Paulo. Pegue a Rua São bento para ver a vista de cima do Edifício Martinelli, um dos mais bonitos da cidade. E compare a fachada com a do Sampaio Moreira, primeiro “arranha céu” de São Paulo, inaugurado em 1924 (o Martinelli, que também é citado como primeiro grande edifício, começou a ser construído em 1922 e só ficou pronto em 1930 #informei).
* Também na área: Praça das Artes, enorme espaço que abriga exposições gratuitas de arte e oferece uma bem-vinda sombra em dias que o sol no centrão é muito forte.

O prédio dos Correios, onde a São João encontra o Anhangabaú. Foto: F J Jarabeck via flickr.

O prédio dos Correios, onde a São João encontra o Anhangabaú. Foto: F J Jarabeck via flickr.

Toque para o coração do centro de São Paulo: a Catedral Metropolitana de São Paulo, aka . Dá para entrar e fazer uma tour rápida ou perder tempo na praça em frente vendo profetas gritando qualquer coisa para qualquer um que quiser ouvir. Ali fica o marco zero, centro geográfico da cidade.
* Também na área: Pateo do Collegio (onde São Paulo começou, sério), Mosteiro de São Bento (mosteiro beneditino aberto ao público), Torre do Banespa (um dos mais representativos prédios da expansão econômica paulistana), Centro Cultural Banco do Brasil (na Rua São Bento, com teatro, cinema, espaço para exposições e café de coador).

A Praça da Sé. Foto: Rafa Alves via flickr.

A Praça da Sé. Foto: Rafa Alves via flickr.

Passe na frente do Fórum João Mendes e vá para o bairro da Liberdade, que há muito deixou de ser exclusividade nipônica e abriga grande comunidade de chineses e coreanos. O ideal é chegar um pouco antes das 18h para pegar lugar na fila (porque um dia sem fila não é um dia em São Paulo) do Aska Lámen.
* Também na área: Há muitos restaurantes japoneses na Liberdade. Todos abrem e fecham cedo. Os melhores são os mais antigos, como o Hinodê.

Detalhe do bairro da Liberdade. Foto: Augusto Gomes via flickr.

Detalhe do bairro da Liberdade. Foto: Augusto Gomes via flickr.

E DEPOIS?

Com a barriga cheia, encerre tomando sakê num izakaya, bares tradicionais que vendem sakê e pequenas porções de comida que o paulistano adotou. O Issa é um dos mais conhecidos e celebrados. E tá liberado voltar pra casa/hotel/hostel e morrer.

Mas dá pra manter o pique e fazer a noite continuar pelo centrão mesmo. Procure a programação do Mandíbula, da Trackertower e do Alberta#3. Fim-de-semana? Tente ir numa festa na rua como Calefação Tropicaos ou Voodoohop. O documentário Reclaiming the Jungle explica a história desse movimento que está ajudando a mudar a cara do centro.

Também vale subir a Augusta só pra ver o que vai encontrar e, chegando na Paulista, virar à direita, andar até a Consolação e tomar um drink no balcão do Bar Riviera, antigo ponto da boemia paulistana restaurado e reaberto (com o mesmo cardápio!) em 2013.

Fachada do Riviera, na esquina da Paulista com a Consolação. Foto: divulgação.

Fachada do Riviera, na esquina da Paulista com a Consolação. Foto: divulgação.

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* Foto da capa: Murilo Cardoso via flickr.