Índia, Prosa, Viagem

Como se enrolar num sári indiano

O sári é uma das únicas coisas que comprei na Índia. Eu já sabia que ia voltar para casa com um (ou mais) desses longos pedaços de tecido que as mulheres enrolam no corpo com uma porção de técnicas, tradições e detalhes.

As meninas indianas da tour prometeram me ensinar o saree wrapping, mas acabei contanto com a ajuda de Phreeta, funcionária do Spice Village, na reserva Periyar, região montanhosa do Kerala onde se planta/colhe/exporta ervas e temperos como cardamomo, pimenta preta, cravo-da-índia e noz-moscada.

Phreeta nasceu e mora no Thekkady (o outro nome da reserva) atualmente dentro dos limites do hotel/reserva florestal. Tímida, me contou que a irmã mora em Cochi e que ela aprendeu a vestir sári com a tia, quanto tinha uns 17 ou 18 anos. A mãe usa apenas sáris desde sempre e para fazer qualquer coisa. Mas ela não queria falar muito, concentrada em acertar as dobras corretas e fazer o sári azul com grafismos pretos e brancos pousar corretamente no corpo branco e desleixado na turista gringa.

O sári é uma peça só e a primeira coisa que você faz é cortar: normalmente é vendido ‘com a blusa’, o que significa que uma das extremidades vem com tecido suficiente para você cortar e fazer a blusinha justa que se usa embaixo. Eu não sabia disso mas conseguindo comprar uma blusinha de seda azul e dourada, num tom próximo ao meu sári, numa barraca de praia – serviu para a experiência, mas é claro que não é como ter uma saree blouse feita sob medida e combinando com o tecido original.

A outra coisa que você vai precisar é a saia que vai embaixo (pode ser uma legging, mas vai ficar impossível ir ao banheiro, explico abaixo). É uma saia reta, simples, de tecido fino e com um elástico (no meu caso, um barbante) na cintura. Isso não vem junto e não precisa ter uma saia para cada sári. Tem que ficar um pouco acima dos pés e não deve nunca aparecer quando a mulher senta ou caminha. A saia serve para prender o sári na cintura.  É por ela saia que você começa a vestir o sári, fazendo uma volta inteira na cintura. Depois você pega a outra extremidade e faz uma porção de dobras: é a parte que vai passar por cima do ombro. O tecido que fica no meio do caminho você dobra novamente e acerta na cintura, como no primeiro passo. Depois de fazer tipo dez vezes fica fácil. Dizem.

O sári vem em alguns tamanhos, entre cinco e nove metros, e tecidos como seda, seda sintética, crepe e algodão – mais confortáveis e leves, nem tão luxuosos quanto a seda e com caimento melhor que o meu, sintético. Os homens do grupo me ajudaram a arrumar a barra e explicaram que estão mais que acostumados a arrumar as barras dos sáris das esposas. Como a minha professora de sári era um pouco tímida e já estava me fazendo um favorzão, não fiquei pedindo fotos.

A fina arte do saree wrapping

how to wear a saree

Dificílimo. Uma hora você pega o jeito.

E, claro, uma foto (do iPhone da Roxanne, thanks gal!) só pra mostrar como fiquei em meu sári azul estampado. Faltou pintar o olho com kajal, mas chego lá.

saree

Namaskaram