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Dicas de viagem do Arturo Bullard: 10 (ou mais) conselhos práticos

Verdade seja dita, não sou a pessoa mais sociável do mundo. Mesmo assim, nos últimos meses conheci uma porção de gente de países, culturas e costumes diferentes. E fiz amizade com viajantes incríveis de várias partes do mundo, com quem estou sempre aprendendo coisas.

É essa a idéia de viajar, não?

Pensando nessas pessoas, quis escrever o que acredito que existe por trás de um bom viajante. Não são as fotos lindas no instagram, a lista de locais “tem que ir” em qualquer lugar ou a coleção de gadgets. Mas sim a relação com a viagem, o respeito com o local visitado. Encontrei a lista de dicas de viagem que eu queria já escrita pelo Arturo Bullard, fotografo e aventureiro peruano, colega no Avianca Travel Bloggers. A foto acima é da viagem que fizemos há pouco para Cusco com o blogger colombiano Daniel Tirado.

As dicas de viagem do Arturo valem para todo tipo de viajante, quer se interessem por museus na Europa, tribos na África ou trilhas na América Central (ou quem sabe tudo isso junto). Valem pra todo mundo porque bom senso não depende de budget nem de destino.

Traduzi do espanhol para você ler, mas veja o original aqui.

Encarando cerveja artesanal em Hanoi, Vietnam.

10 conselhos práticos que para o bom viajante, por Arturo Bullard.

1. Pesquise o destino.

É importante saber de antemão que lugares você quer visitar, quais são os costumes, que tipo de experiência você quer ter. A internet é sua aliada. Blogs de viagem são excelentes guias quando escritos por pessoas que já viveram o que queremos viver. Podem ser canais diretos e fiéis, com uma visão realista do que é viajar.

2. Viaje leve.

O tempo me ensinou a não levar nada que “possa acabar precisando”. Leve só o necessário. Se a viagem for longa, lave a roupa numa lavanderia ou mesmo no quarto do hotel. Outro exemplo: não carregue livros que não tem certeza que vai ler, e considere a idéia de deixar o volume para trás quando terminar a leitura. E não exagere nos gadgets, eles não são essenciais. Em resumo: não deixe que sua bagagem seja um estorvo.

Família joga dominó numa tarde em Havana.

3. Se perca.

Se perder intencionalmente por ruas e becos é a melhor forma de encontrar a verdadeira cara de uma cidade. Sempre trato de fazer isso assim que chego e na maioria das vezes encontrei boas surpresas. Com um grupo de amigos em Havana, por exemplo, andamos para longe das áreas turísticas e acabamos aproveitando o melhor da cidade, que é ver o dia a dia dos cubanos.

4. Fale com as pessoas do lugar.

Locais sabem quais são os bons lugares na área. Pergunte onde comer, o que recomendam visitar, quanto gastar. Perca a timidez e faça amigos.

Tive ótimas conversas e experiências conhecendo gente autêntica, que não está contaminada com o turismo e nem está atrás de compensação financeira. Uma de minhas surpresas favoritas foi em Udaipur, Índia, onde acabei convidado para jantar com uma família da cidade. Em Pushkar, também na Índia, tomei chá e conversei por mais de três horas com três mulheres ciganas simpáticas e boa gente.

Dormir em casas de família também é uma opção excelente. Não pelo conforto, mas pelo afeto que você acaba recebendo.

O Facebook e outras redes sociais também permitem manter contato com as pessoas que você conhece pelo caminho. Mantenho com amigos que fiz no Nepal, Quênia, Tanzania, França, Alemanha, Costa Rica, India, Indonesia, Panamá, Honduras, Equador, Chile, Jordânia…

Chá e papo com um grupo de ciganas na Índia.

5. Abrace a cultura local.

Não raro você vai se deparar com costumes opostos, comida desconhecida e idioma incompreensível. Também é possível que encontre situações que não são do seu agrado. Mas tenha em mente que você é a visita e não deve impor seus gostos e costumes, não deve criticar ou julgar algo que só conhece pela superfície.

Você gostaria que um chinês ou árabe ou queniano chegasse na sua casa e criticasse sua vida? Imagino que a resposta seja não. Então não faça o mesmo.

Em muitos países da Ásia, é comum soltar gases em público. Não vou negar que isso me deixa desconfortável, mas não a ponto de olhar feio para as pessoas ou expressar meu desagrado em voz alta. É parte do jogo.

6. Organize suas fontes de dinheiro.

Leve moeda local, repartida em mais de um lugar. Se for usar cartões de crédito, considere a idéia de levar um cartão extra. E sempre confirme se há limite para usar.

Embarque com o dinheiro necessário para ir do aeroporto para o hotel. Nos aeroportos o câmbio é sempre mais alto. O restante você pode trocar após chegar. Em bairros menos turísticos a taxa de câmbio é sempre melhor. Num aeroporto na Guatemala a casa de câmbio afirmava com segurança ter o melhor câmbio e que na cidade era muito difícil trocar dólares ou euros. Mas na verdade o preço mais baixo que a casa de câmbio fazia ainda é 20% mais alto que a disponível na cidade, onde existiam casas de câmbio por todos os lados.

Antes de viajar, avise sua operadora de cartão de crédito e comunique data e destino. Cheque as comissões de caixas eletrônicos para evitar surpresas desagradáveis – em alguns lugares na Índia existem taxas de até U$20 por cada uso de ATM. Não retire dinheiro picado, porque a comissão será cobrada a cada uso.

Anote os telefones de emergência de seus cartões e bancos em um local seguro para em caso de perda ou roubo poder fazer o bloqueio rapidamente. Aconteceu comigo na República Tcheca – em menos de trinta minutos meu cartão foi usado numa joalheria.

Não carregue muito dinheiro na carteira, leve o dinheiro sempre com você em bolsos internos ou deixe no cofre do hotel.

Entenda como funciona, quanto vale e como você pode conseguir dinheiro local. Não conte com ATMs funcionando em todo lugar.

7. Leve um guia ou imprima umas frases do idioma local.

Essencial em locais menos turísticos onde não se fala inglês. Aconteceu comigo na Jordânia, saindo de Petra rumo ao norte do país. Me perdi numa área onde ninguém falava inglês e, sem meu livro de frases, levei mais de cinco horas até conseguir ajuda.

8. Aprenda sobre os meios de transporte e quanto custam.

A melhor forma de transporte pode ser a pé, de ônibus, metrô, barco, bicicleta, táxi ou carro alugado. Em muitas cidades grandes há boas alternativas de traslado do aeroporto para a cidade como ônibus ou trens, sobretudo na Europa e Estados Unidos.

Em Bangkok, como em muitas cidades asiáticas, táxi é uma boa alternativa desde que você saiba que os taxistas vão cobrar a tarifa de acordo com sua cara e que, se exigir o uso do taxímetro, pode pagar até cinco vezes menos. Se o taxista não aceitar, deixe passar e pegue o próximo.

Bicicletas também são excelentes alternativas, em especial na Ásia e na Europa. E em muitos cidades européias e norte-americanas o metrô é a melhor opção, principalmente quando é possível comprar passes temporários.

Não conte com as aulas de inglês para encontrar o caminho no norte da Jordânia.

9. Mantenha uma atitude positiva, sobretudo em imprevistos

Sempre mantenha a calma. Mas lembre-se disso principalmente em situações adversas. Se o problema tem solução, então resolva. Se não, lamentos e mau humor não vão resolver nada.

Em um vôo de Phuket para Chiang Mai, Tailândia, esqueci minha carteira no avião. Mas só me dei conta disso umas três horas depois. Na carteira estava meu passaporte, entre outras coisas importantes. Fui no aeroporto e a aeronave já havia partido para outro destino. Seguimos viagem e não tivemos qualquer problema até a companhia informar que havia localizado a carteira com todos os meus pertences dentro – problema resolvido!

10. APROVEITE SUA VIAGEM AO MÁXIMO

Respirando ar puro no Vale do Sapa, Vietnam.

Outros conselhos:

  • Faça um backup de suas fotos no final de cada dia (ou pelo menos sempre que possível), assim se você perder o equipamento, não perde as lembranças.
  • Leve medicamentos básicos, principalmente se estiver viajando para países distantes. Pode ser um problema conseguir aquele antialérgico ou remédio para diarréia, por exemplo.
  • Jamais deixe vacinas e vistos para última hora. Informe-se o quanto antes e tenha tempo para cuidar de tudo.

E você, tem alguma coisa a acrescentar?

 

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