Prosa

Em casa

Cada semana que passa melhora um pouquinho. É uma planta nova na janela, o cheiro de pão assado de manhã, a roupa de cama limpa. Detalhes que fazem parte de ficar em casa.

Sabe aquela coisa que só faz sentido na hora e depois você tem que lidar mesmo assim? É esse apartamento, onde quase não morei desde que fiz a mudança e, consequentemente, não consigo deixar com cara de casa. Pra caber aqui, deixei pra trás uma porção de coisas – mais da metade dos meus livros, um monte de itens de cozinha, absolutamente todos os CDs. A coleção de graphic novel ficou, assim como a coleção de souvenir de viagem, que cresceu consideravelmente e agora não cabe em lugar nenhum. Parte dos discos de vinil ficou também, mas a vitrola (que é ruim) segue encostada. Os Blu Ray também ficaram, mas quem tem tempo pra isso?

Com os gatos foi mais complicado. Sobraram as duas que eu já tinha quando morava numa casa de vidro de vidro no meio do mato, uma época em que as estações do ano eram mais definidas, dava pra ver a lua no céu e ouvir a chuva no telhado. Trancadas no apartamento, elas me lembram que quando decidi voltar pra São Paulo, fiquei sem lugar.

Esse apartamento não é minha casa. Mas se tem uma coisa que a gente aprende na estrada é a fazer o melhor com o que tem na hora. Então todo dia eu acordo cedo e trabalho um pouquinho nas mesmas coisas: meu livro, meu blog, minha saúde, minha casa. E tudo melhora. Com passo de formiga. Mas melhora.

Uma samambaia pra chamar de minha.

Uma samambaia pra chamar de minha.