Itália, Viagem

#ExploreItaly: um dia perfeito na Toscana

Aprender sobre diferenças culturais/gastronômicas é uma das coisas mais legais de viajar. E foi a melhor coisa da viagem pelo centro e norte da Itália com o Explore Italy, maio passado. É meu país preferido, e eu já tinha visitado antes. Mas viajar de trem (ao invés de avião), ficar em apartamentos (ao invés de hotéis) e ter gente local como guia (cortesia do Walks of Italy), abriu muito minha percepção do que é a cultura, a história e os costumes italianos.

Na Itália nenhum aspecto cultural é mais notável do que a relação dos italianos com sua comida.

E em nenhum local o orgulho gastronômico é mais forte que na Toscana.

A tour do Walks of Italy pelo Chianti, região de colinas enfeitadas por ciprestes, campos de alecrim e alfazema no centro da Itália, começa em Siena. Chegamos (no plural porque eu estava viajando com a dupla Captain & Clark) ainda com a barriga cheia do café-da-manhã, que na Itália é normalmente tomado fora de casa, no caminho do trabalho. Uma coisa rápida tipo capuccino (que só é servido até a hora do almoço e jamais tomado depois de uma refeição) e um pão doce como cornetto ou croissant.

Barriga cheia ou não, de cara fomos experimentar os cantuccini, biscoitos duros de amêndoas muito comuns aqui no Brasil em versão mais açucarada, e panforte (doces, frutas secas, especiarias).

Vinhos, panforte e embutidos: só parte da comida toscana.

Vinhos, panforte e embutidos: parte da comida toscana.

Giulia, nossa guia sienense esperta, gente fina e estilosa, quis entrar no supermercado para nos fazer experimentar pedaços de queijo pecorino (de cabra), lardo (gordura de porco) e crostini (pães crocantes, com azeite ou patê). Orgulhosa, mostrou pacotes de pici, uma massa grossa feita só com farinha e água, e variedades de vinho que vão muito além dos chianti e “super Tuscans” famosos no mundo todo.

O rolê em Siena ainda rendeu muito papo sobre a tradição do Palio di Siena, corrida de cavalos mais antiga do mundo (quem viu o 007 – Quantum of Solace vai reconhecer) que acontece na praça central e envolve a cidade toda. A competição entre antigas casas e bairros (representados em bandeiras por animais e cores) faz as brigas de torcidas sul-americanas parecerem coisa de criança.

De Siena paramos na Tenuta Casanova, uma fazenda orgânica do Chianti (nome que batiza as colinas entre Florença e Siena) onde o proprietário cria porcos e abelhas e faz o próprio vinagre balsâmico há trinta anos. E fizemos um almoço memorável sob a sombra das árvores, entre campos de alecrim, na companhia dos cães farejadores de trufas. Suspiros.

Walks of Italy Tuscan Tour

Pães, embutidos, queijos, ovos, trufas e frutas, tudo produzido no local.

A digestão veio com cafezinho na medieval San Gimignano, uma cidadela murada cheia de torres que atrai centenas de turistas diariamente onde, dizem, está no melhor sorvete do mundo. A Gelateria Del Piazza, que fica na Piazza della Cisterna, coleciona prêmios, mas a fila desanima.

Foi só para abrir o apetite para a próxima parada. A Fattoria Poggio Alloro é uma fazenda de agricultura biológica com vista para as torres de San Gimignano. Produzem a própria grappa, vinho e azeite, plantam açafrão e criam o gado Chianina – a raça italiana que resulta nas suculentas, macias e enormes bistecas florentinas encontradas em Florença. O passeio idílico entre oliveiras e vinhais com o ar fresco da Toscana soprando e espantando o calor só é atrapalhado por Luiggi e Capuccino, os dois filhotes Jack Russel da fazenda que ora perseguem visitantes, ora roncam deitados na grama com a barriga pra cima.

Taí. Um dia perfeito.

Mais Toscana no blog do Walks of Italy. E galeria de fotos abaixo.

* Estive na Itália por vinte dias entre maio e junho/2015 à convite da Eurail, do AirBnb e do Walks Of ItalyLeia mais aqui.