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Fui Sozinha: Belo Horizonte

Igreja de São Francisco de Assis, aka Igrejinha da Pampulha, parte do patrimônio arquitetônico de Belo Horizonte e uma das mais famosas obras de Oscar Niemeyer.

É incrível que Belo Horizonte não seja uma cidade mais visitada. Histórica, bem planejada e linda de morrer, a capital de Minas Gerais é uma das grandes cidades do país, mas vê boa parte de seus turistas passarem pouco ou nenhum tempo por ali, já que seguem em direção à cidades mineiras famosas como Ouro Preto, Tiradentes e Brumadinho (onde fica o Instituto Inhotim).

Mas isso já está mudando e acredito que é um processo imparável, porque BH tem muita coisa legal para ver e fazer, como contarei nessa série de posts sobre a cidade, que visitei em novembro de 2017 a convite do Holiday In Savassi.

Vitrine de queijos locais no Armazém Mineiro, dentro do Mercado Central. Sim, pode pedir pra provar e guarde espaço na mala porque você vai querer trazer algum.

Vitrine de queijos locais no Armazém Mineiro, dentro do Mercado Central. Sim, pode pedir pra provar e trate de guardar espaço na mala porque você vai querer trazer algum.

Quando ir

Como em todo sudeste brasileiro, a tendência é tempo quente e chuva no verão e dias de sol frio e seco no inverno. Belo Horizonte é bem agradável durante feriados, quando boa parte dos moradores viaja mas os bares e restaurantes (provavelmente a melhor coisa da cidade) seguem abertos.

Se tiver que escolher uma época, vá no Carnaval. Todos os belo-horizontinos com quem conversei falaram a mesma coisa: o Carnaval local vive excelente fase, fica cada vez maior e melhor, é super animado e eclético e tem blocos pequenos ou grandes ao gosto do folião. A Belotur, empresa de turismo da cidade, aposta que o Carnaval de 2018 em BH será o melhor até hoje e afirma que a cidade está preparada para receber 3,6 milhões de pessoas, 20% a mais do que em 2017. Considere que a área metropolitana tem uma população de 2,5 milhões, então é como se todo mundo e mais os amigos de fora chegassem pra festa.

Por isso, quem quiser ir precisa se programar o quanto antes. O que me leva ao próximo tópico…

Onde ficar

Não é por acaso que o primeiríssimo lugar em indicações de hotéis do TripAdvisor na cidade é o Holiday Inn Savassi. Super bem localizado no bairro mais agradável de BH, o hotel tem o mesmo padrão de conforto e bons serviços da rede no mundo todo – pense em camas enormes, WiFi gratuito e super veloz em toda a propriedade, piscina, sauna, academia e um ótimo restaurante no térreo, o Drummond, que oferece leituras contemporâneas da comida mineira como pastel de angu (tava ótimo, sequinho e bem saboroso) e canela de porco com jiló.

O que comer

Pão de queijo e broa de fubá são duas coisas que você vai encontrar em qualquer desjejum mineiro, e o café da manhã do Holiday Inn não é diferente. Ali a oferta de mineirices é completa com queijos locais, goiabada e queimadinho, um leite quente com caramelo queimado e canela que é totalmente comida de mãe.

Com muito feijão, carne de porco e vegetais como quiabo, couve e abóbora, a comida mineira é conhecida em todo país e deveria ser celebrada como patrimônio nacional. Para provar localmente, aposte em restaurantes em esquema buffet para experimentar de tudo um pouco. Um dos mais famosos (justificadamente) é o Dona Lucinha, com dois endereços. Outra recomendação constante é o torresmo de barriga e a carne com jiló no sempre lotado Casa Cheia no Mercadão (como todo mundo chama o Mercado Central, leia mais nesse post da colega mineira Lívia Aguiar).

Para sair do lugar comum, duas dicas: o almoço do simpático, simples e baratinho Feijão, dentro do edifício Maletta, no centrão da cidade, caso raro de bom restaurante self service com opções para veganos; e cervejas com petiscos a noite no charmoso Birosca S2, em Santa Tereza, que tem shows de jazz às terças e serve o provável melhor bolinho de arroz que você vai comer na vida.

Já o melhor pão de queijo da cidade não é consenso. Os da Pão de Queijaria, há quatro anos na Savassi, são deliciosos, crocantes e saborosos são geralmente considerados os melhores em votações. Mas cada pessoa tem uma preferência e se você sair perguntando, vai te indicar um segredo bem guardado tipo “o da padaria perto de casa” ou “o que a vizinha da amiga da minha prima faz”.

PDQ tradicional de queijo da Serra da Canastra na Pão de Queijaria. É considerado o melhor da cidade, mas cada belo-horizontino tem um de sua preferência.

E, sim, os PDQ de Belo Horizonte são muito superiores aos que a gente encontra em São Paulo. Não tem nem comparação. Sério.

O que ver

A Praça da Liberdade é um bom ponto de partida. É cercada de casario antigo, construído para a inauguração da cidade que celebra 120 anos de vida em 2017, hoje transformados em museus como o belo Centro Cultural Banco do Brasil. Dali você pode ir andando até a Savassi, olhando pra cima e procurando alguns exemplos da arquitetura moderna da cidade – o ARQBH é um ótimo site para pesquisa e roteiros.

Edifício Niemeyer, na Praça da Liberdade // Foto: Elena Fragoso via Shutterstock.

Fachada do Edifício Niemeyer, na Praça da Liberdade // Foto: Elena Fragoso via Shutterstock.

Outra praça, a do Papa, faz as vezes de mirante, local de shows e manifestações e ponto de encontro pra final de tarde. O maior clichê turístico de Belo Horizonte provavelmente é o Mercadão, nome carinhoso do Mercado Central, que fica lotado nos finais de semana e é muito usado pelos belo-horizontinos, que gostam de dizer que “se não encontra aqui, é porque não tem”. Tem também o conjunto arquitetônico da Pampulha, que desde 2016 tem título de Patrimônio Cultural da Humanidade – mas espera, sobre esse eu vou falar no próximo post.

Saindo desse roteiro de city tour, vale visitar o Edifício Maletta, um antigo prédio comercial que foi adotado por diferentes turmas em todas as horas do dia. O Maletta tem aquele charme de centro velho, um pouco como a Galeria Metrópole paulistana, e reúne uma porção de lojas moderninhas, sebos de livros e de discos, restaurantes (como o Feijão, que falei acima). É um ótimo lugar para encontrar gente e tomar cerveja de garrafa.

O passeio de um dia saindo Belo Horizonte, e algo que acho que todo brasileiro tem que fazer na vida, é o Instituto Inhotim, a apenas 60 quilômetros da capital. É um dos mais importantes acervos de arte contemporânea e o maior centro de arte ao ar livre da América Latina, com 450 obras de artistas de todo o mundo, como Tunga, Matthew Barney, Yayoi Kusama,Valeska Soares e Hélio Oiticica (abaixo). Desde janeiro de 2017 o Holiday Inn Savassi oferece saídas diárias para Inhotim na porta do hotel (é necessário reservas, informações nesse link).

"Invenção da cor, Penetrável Magic Square # 5" de Helio Oiticica, uma das obras permanentes do Instituto Inhotim // Foto: Paulo Nabas via Shutterstock.

“Invenção da cor, Penetrável Magic Square # 5” de Helio Oiticica, uma das obras permanentes do Instituto Inhotim // Foto: Paulo Nabas via Shutterstock.

Mas você vai sozinha?

Juro: Belo Horizonte é uma das cidades brasileiras onde me senti mais tranquila andando nas ruas sozinha. Mas fica o toque: viajando sozinha é sempre legal procurar um bairro que seja central, fácil de chegar/sair e cheio de coisas para fazer a pé. Por isso, a região da Savassi, onde fica o Holiday Inn e que concentra cafés, restaurantes e lojas bacanas, é sua melhor opção.

Uma área legal para circular de noitinha e acabar conhecendo gente e fazendo amigos (desculpa o clichê, mas mineiros são campeões nessa coisa de receber bem e agregar estranhos na mesa) é a Rua Sapucaí, que concentra uma série de bares e restaurantes de todos os tipos e onde as pessoas se reúnem para beber, comer e conversar. Na dúvida, procure a Benfeitoria, espaço eclético com um monte de coisas acontecendo o tempo todo e o bom lugar para você ficar sabendo o que acontece na cidade.

Para circular não com muito com a minúscula rede de metrô, mas tudo bem porque encontrar táxi na rua é fácil e os principais serviços de carros particulares como Uber, 99 e Cabify estão presentes. Google Maps com rotas de ônibus urbanos também é realidade e, por ser uma cidade planejada, o centro expandido de Belo Horizonte é muito fácil de entender e explorar a pé.

Fui Sozinha: BELO HORIZONTE

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