Portugal, Prosa, Viagem

Lisboa por lisboetas

Portugal, Lisboa, Alfama

Minha rápida estada em Lisboa quase se limitou ao bairro da Alfama. É a parte mais antiga da cidade, com ruínas romanas, ladeiras íngremes, becos escuros, roupas penduradas em vielas e casas de fado. Isso e turistas, muitos turistas. Eles chegam de todos os países possíveis, andam em grandes grupos e normalmente seguem um/a guia que conta fatos sobre o que estão vendo – você já viu ou quem sabe até já participou de um desses.

Visitar a Feira da Ladra em meio a centenas de turistas, onde você pode encontrar azulejos e antiguidades no meio de um monte de roupas velhas e artesanato, deve ser uma das Dez Coisas Que Lisboetas Não Fazem, como brincou minha nova amiga Sílvia Romão. Ela estava falando de tirar foto com a estátua do Fernando Pessoa na frente da cafeteria A Brazileira, mas vale para as casas de fado da Alfama.

Sílvia é estudante de travel writing da Matador U (do blog http://itravellina.com) junto com seu irmão Rui Romão, que é também um excelente fotógrafo (veja em http://lightwalking.ruiromao.com). Eles me levaram para almoçar num hostel de luxo chamado The Independente, no bairro da Baixa/Chiado. Filhos de uma professora de história portuguesa, são cheios de informações sobre o país e depois de uma taça do (sempre) bom vinho português, já estávamos rindo e trocando histórias sobre como nossos povos são parecidos: preguiçosos, confusos, cheios de conflitos.

Silvia e Rui, meus amigos lisboetas :D

Silvia e Rui, meus amigos lisboetas :D

Quando acabamos o almoço a chuva que caía a dois dias sobre Lisboa deu uma folga e, debaixo de um céu azul de outono e ao lado de dezenas de turistas, eles me levaram para andar de bonde e beber ginjinha, o doce e delicioso licor de cereja que faz parte do cenário da cidade (apesar da ginjinha mais famosa ficar em Óbidos). Das coisas legais de andar com locais: eles sabem o que há por detrás de portinhas. Silvia me levou para ver o que havia escondido por trás da imperceptível porta da Casa do Alentejo. O que era? Um palácio marroquino, cheio de azulejos e sombras, com uma fonte. Quase que um outro mundo, ali, no meio da rua, vendo o tempo e as pessoas passando.

Encantada com Lisboa e sobre efeito dos copos de ginjinha, subi a Alfama até o Castelo de São Jorge, só para comer outro pastel de nata e ver mais turistas fazendo fila. A visita ficou pra outra vez. E tudo bem, porque ainda tenho mais Lisboa para contar e mais Portugal pela frente – o #PortugalFoodStories começa hoje.

Portugal, Lisboa, Feira da Ladra