Índia, Livro

Livro: Nove Vidas, William Dalrymple

Esse livro apareceu por acaso no meio de janeiro: era o único exemplar no meio da estante de viagem na livraria onde parei para comprar os livros de escola do meu filho. Impressionada com os elogios da contracapa (“A escrita de viagem na sua melhor forma”, The Observer; “Absurdamente erudito”, Sunday Times; “O melhor escritor de viagem de sua geração”, The Spectator) botei no pacote, passei no caixa e vim pra casa.

Foi meu primeiro livro do William Dalrymple. O que você precisa saber sobre ele é que é um escocês especializado na Índia, que seu maior sucesso de chama In Xanadu onde ele refaz a pé a rota de Marco Polo e que sua escrita é uma rara e agradável combinação de prosa e informação.

Ao longo das trezentas e tantas páginas de Nove Vidas (saiu no Brasil pela Companhia das Letras, dá pra ler um trecho aqui) você fica sabendo muito mais. Por exemplo, que na Índia existem prostitutas divinas e sadhus (homens sagrados) que cantam, transam e fumam maconha. Que a tradição islâmica sufista é ameaçada pelo fundamentalismo. Que os monges jainistas mais dedicados realizam o suicídio ritual para atingir a iluminação máxima.

Essas são quatro das nove histórias de vida que Dalrymple recolheu em alguns anos de viagem pela Índia e em entrevistas em oito línguas diferentes. Todas as histórias são ricas em detalhes e contadas na voz dos que as viveram, o que faz desse um livro atípico na categoria ‘de viagem’. A viagem do autor pouco importa, o brilho é todo dos personagens que ele encontra.

São figuras e históricas que mostram um lado espiritual da Índia longe dos especialistas em TI, cirurgiões altamente especializados e dançarinos de Bollywood que vemos via internet aqui no Brasil. O subtítulo é exemplo perfeito da capacidade de síntese de Dalrymple: ‘em busca do sagrado na Índia moderna’.

Detalhe de um dançarino durante o Theyyam, tradição do Kerala em que homens incorporam e são venerados como deuses durante dois meses por ano. Foto: bobinson, via blogspot.

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