Livro

Livro: Robyn Davidson – Tracks

Robyn Davidson por Rick Smolan

Não sei se você sabe, mas tem camelos na Austrália.

Robyn Davidson passou um ano treinando quatro deles e os levou numa viagem pelo deserto rumo o Oceano Índico. Por quê? Bom, por que não?

Mapa da jornada de Robyn. Fonte: CNN

Robyn planejou a rota, estocou mantimentos e até aprendeu a falar algo da língua aborígene da região. O que ela não planejou foi ter um fotógrafo por perto e virar livro e filme. Isso foi por acaso. O que ela queria essencialmente, a solidão, conseguiu mais ou menos. Além dos camelos e de seu cachorro, Robyn teve ajuda ocasional de um guia e a companhia de um fotógrafo em partes da viagem – um cara entusiasmado com seu assunto mas sem nenhuma experiência em viver no deserto.

Tracks: A Woman’s Solo Trek Across 1700 Miles of Australian Outback, o livro com essa história improvável de camelos, deserto, mar, romance, tempestades e povos aborígenes, saiu em 1995. É um dos livros de viagem mais interessantes que você pode encontrar. Robyn fala profundamente da vida no deserto, descrevendo  animais, paisagens e seus habitantes originais, as tribos aborígenes da Austrália.

A presença de Rick Smolan, o fotógrafo, é motivo de amor e ódio. Se por um lado Robyn odeia as fotos, não quer posar, não quer usar roupas e se sente culpada por aceitar o dinheiro da National Geographic Society (que patrocinou parte das despesas da viagem em troca da história) por outro a companhia representa alento para uma solidão muito mais profunda do que ela imaginava possível.

Tracks virou um filme em 2014, espécie de concorrente-irmão do bem-sucedido Wild da Cheryl Strayed com Reese Whiterspoon. É um filme bonito, com fotografia incrível e boa intenção. O lançamento do filme foi motivo para a tradução do livro de Davidson em várias línguas, inclusive português (chama Trilhas).

Mas o melhor resultado da travessia do deserto feita por Robyn na década de 70 é o livro de fotos de Smolan, Inside Tracks: Robyn Davidson’s Solo Journey Across the Outback, que mostra principalmente a relação de Robyn com seus animais e um lado doce, quase terno, que a exploradora pouco explora em suas memórias.

Sobre camelos na Austrália: eles foram importados do Afeganistão durante a ocupação britânica na Austrália para transportar pessoas e mantimentos em travessias do deserto. Os animais se adaptaram muito bem, mas acabaram perdendo o uso quando os caminhões e carros chegaram. Hoje são usados principalmente como atração para turistas. Foto: Rick Smolan/Against All Odds Productions

Sobre camelos na Austrália: os animais foram importados do Afeganistão durante a ocupação britânica na Austrália para transportar pessoas e mantimentos em travessias do deserto. Os animais se adaptaram muito bem, mas acabaram perdendo o uso quando os caminhões e carros chegaram. Hoje são usados principalmente como atração para turistas. Foto: Rick Smolan/Against All Odds Productions

“I experienced that sinking feeling you get when you know you have conned yourself into doing something difficult and there’s no going back.”

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