Itália, Viagem

On the Road #ExploreItaly: explorando Veneza

Qual é o melhor jeito de explorar Veneza? Se você pensou gôndolas, errou por um século (talvez mais). Os tais barcos pretos pontudos levados por um gondoleiro vestindo camisa listrada estão em todo lugar, mas servem apenas para passeios e são, convenhamos, meio cafonas. A não ser que você sinta uma vontade louca de fazer a Madonna em “Like a Virgin” ou realmente precise perder tempo e dinheiro na fila do Rialto esperando o gondoleiro, evite.

Dependendo de onde você estiver, os taxi acquei (barcos motorizados que fazem as vezes de táxi) e os vaporetto (vá lá, um tipo de ônibus de linha que leva galere pra cima e pra baixo) podem ser inevitáveis. Mas o melhor sempre é caminhar pelas infinitas pontes, vielas, passagens e campos (como piazza, mas menor) dessa cidade sem carros.

Veneza pode estar sempre cheia de turistas, mas também é cheia de segredos, detalhes e histórias para deixar o mais experiente viajante deslumbrado. E essas coisas aparecem quando você relaxa com o caminho, o mapa, o tempo e apenas se perde. Se perder é um fato. Mesmo com google map ou com o mapa em papel vendido em qualquer barraca, você vai se perder. No mapa o que parecia uma rua na verdade é um sotoportego e as as vias são muitas vezes tão estreitas que é normal não enxergá-las.

Acredite: até quem sempre viveu em Veneza se perde. Faz parte. Tente manter algum senso de direção e caminhar sem pressa até o local onde quer chegar. Pode demorar, mas você acaba chegando. E se tiver hora marcada, sempre saia pelo menos meia-hora antes do que deveria.

Sol de poe em Veneza: depois que os milhares de turistas vão embora, é hora de ir pra rua.

Sol se pøee em Veneza: depois que os milhares de turistas vão embora, é hora de ir pra rua.

Minha viagem ideal aqui é alugar um quarto, já que os hotéis são caríssimos. Dê preferência para ficar local onde você vai chegar e sair. O AirBnb tem centenas de opções para todos os bolsos e gostos. Veneza fica a duas horas de trem de Milão, então cheguei pela estação de trem de Santa Lúcia e caminhei menos de dez minutos até meu apartamento, sem ter que bater ombro com turistas nem atravessar nenhuma ponte. Melhor, impossível.

O dia deve começar com um café-da-manhã de pé numa das muitas pasticerias venezianas. Doces de amêndoas, croissants e folhados são ainda melhores quando recém-assados logo cedo. E lembre-se: capuccino aqui, só até as onze. E não tem nem canela e nem chocolate.

Aproveite bem as manhãs para caminhar e fazer fotos, porque lá pelas 10h, 11h a cidade vai ficar entupida com os turistas que descem dos monstruosos navios de cruzeiros para gastar horas e euros na cidade. Se quiser evitar o trânsito de gente que às vezes beira o absurdo, almoce cedo numa osteria e passe a tarde tranquilamente em casa ou num parque.

O melhor momento para ter uma idéia da vida normal veneziana é de noite, quando a cidade brilha. Obrigatória na lista de quem visita, a Piazza San Marco fica ainda mais linda. Essa é a hora para beber vinho da casa (em toda a Itália costumam ser muito bons e baratos) em uma bodega ou restaurante, jogando conversa fora na beira de um canal.

A escada de livros da Livraria Acqua Alta: difícil de achar e altamente instagramável.

A escada de livros da Livraria Acqua Alta: difícil de achar e altamente instagramável.

Dicas

Comece o dia em um dos rolês do Walks of Italy em Veneza. A nossa guia foi uma veneziana gente fina que sempre viveu por lá e conhece tudo da cidade e da região. Caminhar com um local não tem preço.

Se você vai ficar numa casa, faça compras de coisas frescas no mercado Rialto. E aproveite para comer no minúsculo Al Mercá, que oferece pequenos e baratos sanduíches para comer na rua. Fica ao lado da Casa Del Parmigiano, no Campo San Giacomo de Rialto.

A Libreria L’acqua Alta é difícil de achar, numa ruela minúscula que acaba num canal. É um amontoado de livros numa casa centenária, com direito a uma gôndola no meio da sala principal. Os livros são em italiano e a vasta maioria é sobre a história e geografia de Veneza. Também vende souvenirs antigos. Você é bem-vindo para xeretar e ficar de bobeira por quanto tempo quiser.

Se você pira em máquina de escrever, não deixe de passar pelo Negozio Olivetti, na Piazza San Marco. Mas não gaste dinheiro para entrar: é minúsculo e as máquinas mais bonitas estão na vitrine mesmo.

A Itália é sobre vinho. Vino rosso, bianco, santo, spumante. Mas se você é uma pessoa da cerveja, vá até o Il Santo Bevitore para experimentar uma boa seleção de cervejas artesanais de toda a Europa. Petiscos, ou cicchetti, acompanham.

Com meus colegas Chris (Captain) e Tawny (Clark).

Com meus colegas Chris (Captain) e Tawny (Clark).

* Estou na Itália à convite da Eurail, do AirBnb e do Walks Of Italy. Depois de Milão e Veneza, vou para Florença e Roma. Acompanhe no instagram e snapchat (gaiapassarelli). Leia mais aqui.