Itália, Viagem

On the Road #ExploreItaly: o que fazer em Milão

Quando você viaja, decisões precisam ser tomadas. E com pouco tempo num lugar, essas decisões às vezes são difíceis.

Sempre escolho andar. Primeiro porque posso descansar quando estiver em casa. Segundo porque não me importo de estar cansada de noite. E terceiro porque é andando que se vê, cheira e sente uma cidade.

Com um único dia em Milão, acordei cedo e sai caminhando. Andei uma hora do apartamento alugado na região da Estação Central até o ponto de encontro com Tawny e Chris, o casal por trás do blog Captain and Clark, ela é escritora, ele é vídeografo. Além de viajarem a maior parte do tempo, os dois são fãs de Game of Thrones, lasanhas, café e gatos – como você pode imaginar, assunto não falta.

Passamos umas quatro horas andando pela cidade antiga de Milão junto com o Walks of Italy, uma empresa de tours que só trabalha com guias locais, grupos pequenos e, como o nome diz, faz tudo andando. A idéia é mostrar detalhes e contar histórias da cidade que passam despercebidos. De que outro jeito eu acabaria dentro de um monastério do séc XVI vendo um fresco da Arca de Noé com representações de unicórnios, girafas e ursos? Funciona!

As dicas do que ví/fiz em Milão estão numa lista no fim do post.

I dromedari, i orsi, i... unicorni?!

I dromedari, i orsi, i… unicorni?!

Milão tem essa síndrome de “segunda cidade” e recebe principalmente gente que quer ver o Duomo, uma catedral estupenda de mármore branco que reflete a luz do fim de tarde. E, vá lá, o Castello Sforza ou “A Última Ceia” de Da Vinci (você sabia que fica em Milão? pois é). Mas essa cidade moderna de raízes celtas, foi uma das capitais do Império Romano, invadida por hunos, godos, lombardos, espanhóis, franceses e austríacos é é o centro financeiro do país, tem muito mais. Você pode tranquilamente passar uns cinco dias e aproveitar bem cada um deles. Fora isso, é a melhor cidade da Itália para compras. Também é possível usar Milão como base para visitar o norte do país, os alpes italianos e a região dos lagos. A enorme estação de Milano Centrali conecta a cidade com todo o país e boa parte da Europa. Para vir Veneza por exemplo (de onde escrevo agora) é uma viagem de duas horas de trem, com as montanhas pré Alpes passando pela janela.

Outra coisa: 2015 é um momento ótimo para visitar Milão. Ouvi muito que “você está vendo uma nova cidade”. Explico: a cidade passou por reformas e melhorias nos últimos anos em preparação para a Expo Milão, evento de proporções gigantes que envolve toda a cidade e começou em maio. É uma feira montada num pavilhão fora da cidade com exibidores de todo o mundo. O foco em alimento e novas formas de produzi-lo. Parece chato? Pensa que você está na Itália, e comida é uma coisa levada muito a sério por aqui. Vai até outubro e o ingresso normal custa 40 euros. Dá pra comprar online, ou chegando no aerporto, ou na porta – depois das sete da noite há promoções com ingressos por até cinco euros. O Walks of Italy explica melhor nesse bom post (em inglês).

O topo do Duomo de Milão: imperdível, mas melhor quando está nublado e não tem filas.

O topo do Duomo de Milão: imperdível, mas melhor quando está nublado e não tem filas.

Uma lista rápida que fazer em Milão se você tem pouco tempo

Galleria Vittorio Emanuele II
Colado no Duomo, é o primeiro (e certamente um dos mais bonitos) shopping mall do mundo e lar da primeira Prada. Mesmo que compras de luxo não sejam seu lance (infelizmente não é o meu) vale a visita para ver o impressionante teto de vidro e metal e, se der sorte de achar lugar, bebericar um Campari num dos cafés. 

Golden Goose
A flagship dessa marca veneziana ultra-cool de sneakers absurdos fica em Milão. 

Bairro Brera
É o bairro boêmio e jovem, muito por causa da Academia Di Belas Artes, criada pelos austríacos no séc XVIII. Também é lar da Pinacoteca di Brera, com obras de Caravaggio, Da Vinci, Picasso e Raphael. O primeiro brechó da Itália fica no bairro e chama Cavalli i Nastri. Termine o dia ou comece a noite tomando coquetéis e comendo pizza no Dry.

Galerie D’Italia
Na Piazza Escala, ao lado da famosa casa de ópera. É gratuito, tem um café com wi-fi e atualmente exibe uma mostra com arte de propaganda e  pinturas da Primeira Grande Guerra, que completa 100 anos.

Corso Magenta
Uma das áreas mais antigas da cidade, é onde fica o monastério Magiori e a Igreja de San Maurizio (dos frescos que comentei acima). Ideal para caminhar e se perder em lojas tipo a única Pantone Store do mundo. O (dizem) melhor panini de Milão também fica aqui. E um outlet esquema best kept secret que a guia do Walks of Italy jurou que é imbatível.

La Vigna di Leonardo
Museu novinho, aberto para a expo. Colado na Santa Maria de La Grazie, onde fica a “Santa Ceia” de Da Vinci (que vale muito a pena, mas compre ingressos antes). É uma das últimas casas do período da renascença e é onde Da Vinci tinha seu vinhedo preferido. Programão para history buffs.

Luce por Wes Anderson.
O diretor norte-americano recria um típico bar milanês, com direito a máquinas de fliperama, muita Formica, referências aos seus filmes e o bom gosto que lhe é peculiar. Fica na Fondazione Prada, distante uns 40 minutos do centro da cidade.

Balcão do Luce. Anderson diz que “é o lugar onde gostaria de passar um tempo para escrever um novo roteiro”. Foto: Guardian UK.

* Estou na Itália à convite da Eurail, numa ação conjunta com o AirBnb e o Walks Of Italy. Depois de Milão e Veneza, vou para Florença e Roma. Acompanhe principalmente via instagram e snapchat (gaiapassarelli). Leia mais aqui.