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Ponte de Lima: outro Portugal

“Portugal não é só Porto e Lisboa”. Cada vez que penso na terrinha penso na Maria do Céu, que conheci quando visitei Ponte de Lima em outubro passado.

Ponte de Lima é a capital do Minho, região norte de Portugal, uma área verde de temperaturas frias, cujo nome não ecoa quando mencionado aqui no Brasil. Uma pena, porque Ponte de Lima é uma cidade pequena, charmosa, encantadora e cheia de coisas para descobrir. O que Maria do Céu quis dizer é que, ainda que Portugal seja um destino barato, fácil e popular entre brasileiros, nosso hábito ainda é ficar entre Lisboa, Porto e, vá lá, Coimbra ou as praias do Algarve.

E quem enxerga além disso tem muito a ganhar, seja no interior (o Alentejo é genial), no litoral (as maiores ondas do mundo ficam ali), nas montanhas (Serra da Estrela) ou em cidades históricas como Sintra e Aveiros. Além de câmbio favorável, da comida excelente e das distâncias razoáveis (dá pra atravessar o país de carro em tipo seis horas e as estradas são em geral ótimas) temos ainda a vantagem da língua comum. É uma das primeiras coisas que ouço quanto falo sobre viajar para Portugal e também em conversas com amigos estrangeiros. “Mas dá pra entender?”. Sim, dá pra entender e se fazer entender também.

Fazendo amigos na Adega Mourão, no Alentejo.

Fazendo amigos na Adega Mourão, no Alentejo. Leia mais aqui.

Se você precisa de outro motivo para planejar uma escapada até Portugal, te dou esse: a Solares de Portugal é uma companhia de turismo habitacional que incentiva a hospedagem em propriedades históricas em todo o país. Há vilas, moinhos, chalés, casas de praia e até pequenos palácios. São propriedades familiares, algumas com centenas de anos, e o hóspede é convidado a ficar na casa com a família e experimentar o que existe naquela região. Mas não é hotel: não tem carregador de bagagem, não tem serviço de quarto, não tem concierge. Tem muito charme, história e coisas para contar na volta.

Cada caso é um caso e o meu me levou até a antiga propriedade da família Calheiros (meu sobrenome por parte da mãe!) em Ponte de Lima. O Paço de Calheiros é uma quinta com raízes no século XII, que tem como coração um enorme casarão de grossas paredes de pedra decorado com retratos de ancestrais e mobília antiga. O próprio Conde, que morou no Brasil (e não é meu parente direto) recebe os visitantes.

O brasão dos Calheiros, com seis conchas e três estrelas, como o brasão de Santiago de Compostela. Fica logo na entrada da Quinta. Apesar do sobrenome, não foi dessa vez que uma família nobre quis me adotar.

O brasão dos Calheiros, com seis conchas e três estrelas, como o brasão de Santiago de Compostela. Fica logo na entrada da Quinta. Apesar do sobrenome, não foi dessa vez que uma família nobre quis me adotar.

É possível ficar nos quartos históricos, dentro da casa, ou em pequenas e modernas suítes construídas no pátio externo. O café-da-manhã é feito com ingredientes da quinta transformados em geléias, iogurte e pães assados no antigo forno de pedra do que um dia foi uma cozinha medieval.

Ponte de Lima está a apenas meia hora de distância, mas a graça é gastar tempo andando pelos vinhedos e jardins do Paço, quem sabe até repartir uma garrafa de vinho com o Conde, que sempre tem histórias da família para os visitantes.

Francisco entende que esse tipo de turismo personalizado e exclusivo faz todo o sentido em Portugal. Foi pensando nisso e na manutenção de patrimônios ancestrais do país que ele criou a Solares de Portugal há 25 anos, uma forma de manter em funcionamento propriedades com histórico nobre que não tem valor em nossos tempos se não puderem ser visitada. Hoje são mais de 100 propriedades, de todos os tamanhos, tipos (e preços) em Portugal e nas ilhas.

O forno de pedra está na casa desde a Idade Média (dizem).

O forno de pedra está na casa desde a Idade Média (dizem).

O Paço de Calheiros foi a primeira propriedade a começar a funcionar dessa forma no país, e ainda hoje é uma das mais bem preservadas, caindo dentro da categoria “casas históricas”.

A propriedade também se beneficia da proximidade com Ponte de Lima, já que a cidade (“cidade não, vila!” corrigiria a Maria do Céu) é conhecida dos turistas da região: é ponto de peregrinação da versão portuguesa do Caminho de Santiago, um dos melhores destinos para quem curte trekking/bike na área e programa de domingo de famílias do Minho que vão atrás do famoso arroz de sarrabulho.

E mais uma coisa: a luz de Ponte de Lima é absolutamente encantadora. Veja nas fotos abaixo, via meu flickr.

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Estive em Portugal em 2014 com o #PortugalFoodstories da APETECE, entidade que promove o patrimônio gastronômico de Portugal. Veja os outros posts nessa tag e siga o mapa nesse link.