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Belong Anywhere: por que prefiro AirBnb

Acabei de receber uma foto de um amigo viajante que trocou anos de mochilão por uma carreira séria em hotelaria. Se há uns anos a selfie viria mostraria camiseta velha, cabelo empoeirado e cerveja na mão em algum lugar tipo Marrocos ou Vietnã, hoje exibe cabelo aparado, camisa com caimento correto e um colar de jasmins frescos. Legenda: “Tipo de coisa que me faz ter saudade do backpacking”. Verdade. Mas não sinto saudade de pesquisar o hole in the wall mais barato da área carregando uma mochila suada nas costas, nem de repartir banheiro de hostel. A real é que desgosto de hotéis de luxo tanto quanto desgosto de pulgueiros em qualquer lugar do mundo. A hospedagem ideal pra mim é algo que pareça uma casa.

Sou usuária do AirBnb há três anos. Nesse tempo, já tive que subir quatro lances de escada carregando mala pesada, mas também já fiquei em prédio antigo colado numa muralha em Roma. Já tive que caçar endereço incompleto andando por vielas estreitas, mas também já conheci gente que me levou pra tomar San Pedro na Colômbia. Já achei cabelo debaixo do travesseiro, mas também já fiquei com uma família adorável que me emprestou uma bicicleta na Califórnia. A única vez que tive uma experiência ruim foi porque a host não tinha o quarto vago na hora combinada. Quis atrasar umas oito horas, e pra mim não rolava. Nessa hora, o suporte do AirBnb foi rápido, prestativo e excelente, inclusive me colocando para falar com uma pessoa no Brasil e se oferecendo para pagar a conta do meu café e e táxi (contei aqui).

Agora, se você não entende direito como o AirBnB funciona, pode encarar roubadas. Tipo pagar uma fortuna num quarto sem internet há quase uma hora do lugar onde realmente queria estar. Acontece. AirBnb é meio como a vida e o Tinder: tem de tudo #filosofiadeboteco.
Essas são as cinco coisas para você considerar antes de fechar sua próxima viagem. Vem comigo!

01. AirBnb é econômico

Mesmo que não faça long time traveling, gosto da idéia de viver mais como viajante e menos como turista. Isso significa, na prática, me adaptar ao local onde estou. Impossível em hotel, difícil em hostel, totalmente viável num apartamento alugado. Poder fazer meu próprio café ou comprar ingredientes frescos no mercado mais próximo é sempre bom. O mesmo vale para poder lavar roupas. Pra quem é do tipo mimado, também ensina a nobre arte do “se virar”. E mais, se você alugar um local fora de uma área turística vai ter os mesmos restaurantes/padarias/etc que moradores usam no dia a dia, mais baratos e melhores do que tourist traps. E se estiver num bairro familiar certamente estará à quilômetros do Hard Rock Cafe mais próximo, o que só pode ser uma vantagem.

02. É pessoal

Aqui está a primeira regra para ter uma boa experiência de AirBnb: independente de ficar ou não com alguém na mesma casa, você precisa entrar em contato com o proprietário/dono. No momento em que checar a disponibilidade de um local, vocês já estão em contato. É a hora de perguntar qualquer coisa que julgue importante. “Como faço para checar a partir do aeroporto/estação/rodoviária?”. “Quão segura é a região a noite?”. “Você tem gato/cachorro?”. “É possível lavar/secar roupas no local?”. O AirBnb tem um app (Android/iPhone) que funciona muito bem e recomenda que você mantenha toda a negociação e conversas dentro do sistema, para poder acionar em caso de problemas. Não esqueça de combinar direitinho a chegada para não correr risco de ficar trancado pra fora (aconteceu comigo em Veneza, onde o número indicado tinha três blocos, cada um com quatro andares. A proprietária tinha esquecido de passar o número do apartamento) e a saída (para não levar a chave de alguém na mala sem querer e, não, nunca aconteceu comigo).

03. É eficiente

Sabe o concierge do hotel? Bom, é um funcionário que pode até ter boa vontade na hora de indicar onde ir e o que fazer, mas que em muitos casos recebe um por fora de restaurantes e bares. O mesmo dificilmente pode ser aplicado ao/a host do AirBnb. Algumas pessoas mais preparadas para receber bem vão te fornecer uma longa lista de coisas a fazer no bairro ou cidade, quem sabe até deixar livros e revistas locais disponíveis. Se não, é só pedir. Foi assim que acabei comendo numa osteria familiar barata e deliciosa na minha primeira noite em Milão. A dona da casa em Roma me deu uma lista completa por email incluindo a  história do bairro durante os bombardeios da Segunda Guerra. A família californiana linda de Marin County me emprestou um guia de trilhas nas montanhas locais. A mini-casa de Portland tinha um guia dos melhores food trucks do bairro. E por aí vai. Melhor que qualquer balcão de hotel ou dica do TripAdvisor.

04. É seguro pagar no AirBnb

Dinheiro, não. Cartão de crédito e Paypal, sim. Tudo registrado. Uma coisa importante aqui é saber de antemão a política de cancelamento do local – alguns vão cobrar uma pequena taxa para evitar perder dinheiro em caso de no-show. Outra coisa importante é que hosts podem cobrar taxas diferentes em países diferentes. Preste atenção antes de fechar o negócio e, na dúvida, pergunte. Último toque: o AirBnb Brasil acaba de liberar novas formas de pagamento incluindo boleto bancário.

05. Há muita, muita, muita oferta

A oferta em grandes cidades é enorme – há mais de 550.000 mil locais anunciados no serviço e o número não pára de crescer. O AirBnb é suficientemente grande para arrancar reclamações de conglomerados de hotéis em cidades como Nova Iorque. Isso significa que tem de tudo. Depende de você pesquisar, perguntar, procurar saber se o local é adequado para o que você precisa. Coloque a área no GoogleMaps para ver se está perto das coisas que você quer ver na cidade. Pesquise o nome do bairro e veja se tem a ver com o que você quer. Procure saber se tem metrô por perto. Um apartamento é um pouco mais caro mas tem um histórico de reviews positivos? Pode valer mais a pena gastar os dólares extras do que arriscar alugar um quarto cujas fotos não revelam muito.
 * Estive na Itália por vinte dias entre maio e junho/2015 à convite da Eurail, do AirBnb e doWalks Of ItalyLeia mais aqui.