Brasil, Comida, São Paulo

Restaurantes para levar um amigo em São Paulo

Pizzaria Castelões no Brás

São Paulo pode nunca ter sido capital do Brasil, mas essa cidade gigantesca, cinza e enérgica é a que melhor representa o país. Duvida? Pois é aqui que se encontra um pouco de tudo o que faz do Brasil o Brasil.

São Paulo é uma cidade nordestina, sulista, árabe, asiática, européia e latina. E a melhor forma de perceber isso é na mesa. Nossa língua e parte dos costumes são importados da Europa, mas é na gastronomia é que se vê como o paulistano é eclético.  Essa curta lista de restaurantes em São Paulo é para quem visita a cidade e quer ter uma ideia das muitas culturas aqui misturadas. Mas aposto que paulistanos (de nascença ou de coração) também vão encontrar algo novo para provar.

Veja também as dicas de roteiros em São Paulo da minha parceira Expedia Brasil, que dá a dimensão dessa que é uma mais cosmopolitas e interessantes cidades do mundo.

1. Bar do Biu (Pinheiros)

A mistura de arroz, feijão de corda, queijo coalho e mandioca é base do baião-de-dois, uma refeição substancial regada com manteiga derretida e temperada com pimenta caseira. Tradição das muitas “casas do norte” de São Paulo, o prato é estrela do Bar do Biu, em Pinheiros. Procure também: Jesuíno Brilhante (especializado em carne de sol) e Andrade (que tem forró aos finais de semana).

Baião de Dois do Bar do Biu em Pinheiros, São Paulo

O baião do Bar do Biu pode servir de duas a seis pessoas.

2. Castelões (Brás)

São Paulo tem mais pizzarias do que padarias e farmácias. Pizza aqui pode ser cara ou barata, para comer no balcão ou no sofá de casa, com guardanapo de papel ou de tecido. Impossível eleger “a melhor”, já que cada um tem sua preferida. Mas a longevidade da Castelões, no coração da colônia italiana em São Paulo, indica o quanto é querida pela cidade: funciona desde 1924. Procure também: 1900 (vários endereços) e Camelo.

Calabresa e mussarela, a clássica do Castelões. Foto: VejaSP.

Calabresa e mussarela, a clássica do Castelões. Foto: VejaSP.

3. Riconcito Peruano (República)

Representante maior dos sabores intensos da culinária latina em São Paulo, o Riconcito foi responsável pela popularização do ceviche na cidade. Começou na Rua Aurora e hoje tem uns cinco endereços, mas procure o original. Se estiver muito cheio, arrisque um entre os muitos restaurantes peruanos, bolivianos e colombianos da região central. Procure também: La Peruana e Sabores de Mi Tierra.

Ceviche mixto do Riconcito Peruano, em São Paulo.

Ceviche mixto do Riconcito: porções enormes e pescado fresco.

4. Seok Joung (Bom Retiro)

A imigração sul-coreana em São Paulo não se limita ao Bom Retiro, mas é muito presente no bairro. A Rua Prates tem diversos restaurantes que servem uma profusão de pequenos pratos (banchan) com porções de aparência exótica e sabores misteriosos. Pode confundir os iniciantes, mas os iniciados nos prazeres dessa culinária estão fazendo um bom trabalho em manter cheios os restaurantes da área. No Seok Joung, um dos mais famosos, o carro chefe é bulgogi (carne fatiada com molho de soja e outros temperos) e o bibimpap (arroz misturado com vegetais, ovos e carnes numa panelinha de metal). Procure também: New Shin La Kwan e Komah.

Seok Joung, São Paulo

Uma profusão de pratinhos na mesa do Seok Joung.

5. Brasserie Victória (Itaim)

O mais antigo restaurante da comunidade libanesa em São Paulo. Funciona desde 1947, primeiro na Rua 25 de Março e depois num casarão na Juscelino Kubitschek. A melhor experiência aqui é vir em grupo e pedir porções de charutinho de folha de uva, kibe cru, coalhada seca, pães chatos, tabule, kaftas, esfihas e afins. Procure também: Casa Garabed (comida da Armênia, em Santana) e Talal (comida da Síria, no Campo Belo).

Brasserie Victoria, mesa

Coalhada seca, tabule, homus, babaganoush, pão: o básico da mesa da vovó Victória. Foto: Viajante Brasileiro.

6. Bar do Vito (Vila Zelina)

Pouco se fala das etnias do leste da Europa no Brasil, mas São Paulo recebeu diferentes ondas migratórias da Polônia, República Tcheca, Ucrânia, Croácia, Rússia, Lituânia e Hungria ao longo do século XX. Essa famílias chegaram, se estabeleceram e estão aqui em quantidade suficiente para justificar a existência de um “Leste Europeu de São Paulo”. É a Vila Zelina, onde a igreja do bairro celebra missa em lituano e empórios vendem sardinha curtida e repolho azedo. Uma visita ao Bar do Vito, que existe desde 1942, é essencial para aprender sobre o bairro. Sente numa das mesas simples do boteco e peça pratos como virtiniai (um tipo de ravioli) e koshilenai (geléia de carne com pão e mostarda), além de cervejas lituanas. Procure também: Delícias Mil (R. Monsenhor Pio Ragazinkas, 17, 2341-3371, não tem site) e Polska295 (em Pinheiros).

Bar do Vito, Vila Zelina. Foto: Lugarzinho.

Sardinhas no Bar do Vito, para comer com pão. Foto de reportagem do site Lugarzinho.com, leia aqui.

7. Hinodê (Liberdade)

A comida japonesa é tão parte de São Paulo quanto a portuguesa, a síria ou a italiana e por isso é difícil indicar um restaurante. A maior comunidade japonesa fora do Japão tem quantidade e variedade de restaurantes de acordo com seu tamanho. Há temakerias que vendem cerveja e Doritos, minúsculos balcões de robata escondidos em galerias, casas de karê e lámen e “rodízios” de sushi. Para uma experiência nipo-paulistana autêntica, vá ao Hinodê, que é o mais antigo restaurante japonês da cidade. Procure também: Sushi Kiyo (de Kiyomi Watanabe, o sushi man com mais tempo de atividade no Brasil) e Izakaya Matsu (boteco japonês com carta de sakês).

Hinodê, São Paulo

A entrada do Hinodê é o padrão dos restaurantes japoneses tradicionais de São Paulo, com madeira e tecido. Foto: Destemperados.

8. Ugues (Santa Cecília)

A coisa mais paulistana que tem, depois de comer pastel bebendo caldo de cana na feira perto de casa ou do trabalho, é almoçar “pê-éfe”, o prato feito do dia a dia com arroz, feijão, salada e bife ou outra proteína. Os pé-sujo mais tradicionais da cidade seguem um cardápio tipicamente paulistano com um prato para cada dia da semana. A segunda-feira é dia de virado à paulista (feijão engrossado com farinha acompanhado de bisteca, ovo frito e couve). Terça é bife a rolê (bife de lagarto enrolado recheado com legumes, acompanhado de macarrão). Quarta e sábado são da feijoada. Quinta é macarrão com frango cozido. Sexta é peixe frito. O Ugue’s, na Santa Cecília, é um dos bons lugares na cidade para sentar e “bater um prato”. Procure também: Ita (desde 1953 na Rua do Boticário) e Chivito de Ouro (de donos uruguaios).

Ugues, São Paulo

Isso é pê-éfe: arroz, feijão, mistura e algo mais. Foto: UOL (via blog do André Barcinski, autor do ótimo Guia da Culinária Ogra).