Música, Portfólio

Review: Pantha du Prince & The Bell Laboratory para MTV1

RED BULL MUSIC ACADEMY: PANTHA DU PRINCE & THE BELL LABORATORY

Postado Gaia Passarelli // eletrônicapantha du princered bull music academy

O que exatamente é uma musica pós-minimalista? Pergunto porque é esse o termo usado no email convite para descrever o show de Pantha du Prince & The Bell Laboratory. Tags à parte, o projeto é fácil de explicar: musica feita com sinos. Há outros instrumentos (gongos, tubos, bateria, sintetizadores) mas o sino, em seus muitos tamanhos, materiais e formatos, é a estrela. Parece estranho e é. Mas é também bonito e harmônico.

Pantha du Prince é alcunha do Hendrik Weber, conhecido no universo da eletrônica underground por três álbuns lançados nos anos 00. O mais recente deles, Black Noise, é de 2010 e saiu pelo selo britânico Rough Trade com participações de integrantes do Animal Collective e LCD Soundsystem. Se essas credenciais indies facilitaram a popularidade do techno melódico-minimalista de Weber, que também é dono do selo Dial e fã de brit pop, o mesmo não pode ser dito de seu projeto mais recente, o álbum Elements of Light, lançado em janeiro desse ano.

Criado junto com o quinteto norueguês de percussão The Bell Laboratory, o projeto de Weber dá vida ao termo ‘bell-oriented’. São composições que ‘exploram a desconhecida versatilidade do sino como instrumento musical’. Não sei dizer se algo assim já havia sido feito antes, mas não é impossível.

O sino, afinal, é um dos instrumentos sonoros mais antigos criados pelo homem, com exemplares datados de 3600 anos atrás encontrados, por exemplo, na China. Mais pra cá na linha do tempo, é elemento da vida humana (escolas, igrejas) e estrela de filme de terror (a trilha-sonora do O Exorcista, “Tubular Bells”, eterna criação do inglês Mike Oldfield.

Não é preciso ir tão longe, claro. Todo mundo conhece um som de sino. A graça do Bell Laboratory é levar esse som tão familiar para outro ambiente: seu fone de ouvido, seu carro. Ou, no caso do espetáculo apresentado hoje em Nova Iorque, reinventá-lo na igreja.

A apresentação aconteceu em condições ideais: começo de uma noite fria e chuvosa, para cerca de cem pessoas divididas na platéia e balcões de uma igreja ornamentada com madeira escura e vitrais coloridos. Os cinco integrantes da banda entraram vestidos com aventais cinzentos, cada um tocando um sino numa velocidade diferente, a mesma melodia que abre o disco:

http://api.soundcloud.com/tracks/75464519

A bela ambientação criada com luzes coloridas por cima de enormes panos brancos ajuda, mas a acústica é o principal, dando vazão aos delicados timbres que o Bell Laboratory tira de centenas de sinos, alguns menores que um punho, e dos graves chamados de um enorme gongo metálico.

Ousadia e ecletismo são parte da Red Bull Music Academy e vale a menção: o show foi aberto por dois projetos ‘da casa’. O neo-zelandês Louis Bakerencantou (especialmente às garotas) com seu vozeirão que mistura Justin Vernon e Ottis Reading. E a jovem russa Love Cult mostrou uma mistura de shoegaze, loops e acidentes sonoros que teria se beneficiado de um volume mais poderoso.

* Pelo bem da transparência: eu estou em Nova Iorque para participar da 15º edição da Red Bull Music Academy à convite do evento.