São Paulo

São Paulo: cinco coisas para não fazer (e cinco coisas para fazer)

(via Flickr with Creative Commons Licence)

Sempre tem um monte de coisas para fazer em São Paulo. Mas não raro os visitantes (e paulistanos também!) caem em armadilhas como o Terraço Itália ou deixam de experimentar o que a cidade tem de melhor (sua variedade e riqueza cultural) por ficarem restritos à meia-dúzia de sugestões-clichê. Pensando nisso, sugiro cinco alternativas para os passeios mais conhecidos.

A vista

Onde não ir: Terraço Itália. O Edifício Itália é um prédio comercial e subir seu famoso elevador para ver a vista custa caro, já que o tal terraço é restrito aos clientes do tradicional Terraço Itália, que esse serve comida italiana (bem mais ou menos) por altos preços. O bar local tem um bar com certo charme old school e coquetéis passáveis. Quem quiser só ver a vista mesmo pode fazer isso de segunda a sexta-feira das entre 16h e 17h. Mas acredite: há restaurantes, bares e vistas bem melhores na cidade.

Onde ir: Edifício Martinelli. Fica no topo de um edifício de arquitetura histórica na Rua São Bento. A vista é exatamente o que é São Paulo: uma vastidão de edifícios debaixo de fumaça eterna. Mas o terraço do Martinelli compensa: independente da vista, esse é um dos lugares mais bonitos da cidade. Assim como no Itália, aqui também tem limitação de dias e horários de visitação e vale checar antes de ir.

Behind the scenes II / E X O T I K

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Museu

Onde não ir: Pinacoteca. A renomeada “Pina” é um belíssimo prédio e abriga exposições interessantes. Mas não é, na minha opinião, “o melhor museu da América Latina” – título dado por uma premiação do TripAdvisor. Não ir é um exagero, mas não precisa fazer da visita à Pina a cereja do seu bolo paulistano.

Onde ir: MASP. A maior coleção de arte clássica do Hemisfério Sul também guarda preciosidades da arte brasileira como Candido Portinari, Anita Malfatti, Victor Brecheret e Flávio de Carvalho. O icónico edifício de Lina Bo Bardi e a ótima loja de souvenires já valem a visita. De graça às terças.

MASP: ícone da cidade por dentro e por fora. / Luz Rosa / Shutterstock.com

MASP: ícone da cidade por dentro e por fora. Foto: Luz Rosa via Shutterstock.com

Comida

Onde não ir: Food trucks. Parei de considerar food truck um programa digno quando vi um food truck de sushi vendendo temaki de goiabada. Tudo tem um limite, sabe? Zueira à parte, essa coisa paulistana de explorar um formato até a total banalização transformou algo muito bacana (e utilíssimo para a cidade) que é a possibilidade de comer bem, por pouco e rapidamente, em um fenômeno de comida ruim com roupagem moderninha a preços injustificáveis. Há exceções? Claro! Aqui uma. Aqui outra. E mais uma! Mas, no geral, “food park” virou um programa a ser evitado.

Onde ir: pequenos restaurantes. São Paulo tem uma oferta virtualmente infinita de boa comida em restaurantes pequenos praticando preços justos. Muitos funcionam só no almoço, caso do Jesuíno Brilhante, que serve carne de sol de segunda a sábado numa casinha de Pinheiros.O izakaya Matsu, no mesmo bairro, representa brilhantemente a tradição nipônica da cidade. A Casa do Porco (carnes, República), o La Peruana (comida peruana, Jardim Paulista) e o Tenda do Nilo (comida libanesa, Paraíso) são outros que merecem sua atenção (e seu suado dinheirinho).

A Casa do Porco, no centro . Cuidado com as filas! Foto: divulgação.

A Casa do Porco, no centro. Cuidado com as filas! Foto: divulgação.

Livrarias

Onde não ir: Livraria Cultura. Peraí, não me entenda mal. A Cultura da Paulista e a da Vila da Fradique tem lugar cativo no meu coração. São lugares que frequento. Mas também são marcas tão populares que acabam escondendo o fato de que São Paulo tem uma infinidade de outros lugares, com outras especializações, que também merecem visita. Além do mais, a Cultura hoje em dia é nacional e tem em outras capitais.

Onde ir: em algumas das centenas de livrarias da cidade. Só nessa lista você acha doze outras livrarias bacanas de São Paulo. E também vale aproveitar para conhecer publicações alternativas nas muitas feiras independentes que acontecem em São Paulo toda semana. Esse sábado, por exemplo, acontece uma feira na Tapera Taperá (foto abaixo).

Uma livraria moderno-brasileira dentro de uma galeria. (foto: Tapera Taperá)

Uma livraria moderno-brasileira dentro de uma galeria. (foto: Tapera Taperá)

Bairro

Onde não ir: Baixo Augusta. A não ser que você seja jovem-indie-do-rock ou que curta bagunça madrugada adentro, claro. O Baixo Augusta tem muitas qualidades. É uma área eclética e livre. Mas também é onde geral vai pra perder a linha em bares com música horrível que praticam o sistema “homem paga X e mulher paga meio-X”. A última vez que fui no Baixo Augusta a pista ficou animadíssima quando tocou Blink 182 e uma pessoa vomitou em mim. Nunca mais.

Onde ir: Centro. Aqui tem um caminho para quem quer descobrir o Centro. Mas também há restaurantes, cafés, feiras, museus, debates políticos e festas de rua acontecendo o tempo todo. Pra saber o que é quente na semana, vale ficar de olho no guia semanal de São Paulo do site ChickenOrPasta.

A Praça da Sé. Foto: Rafa Alves via fli

A Praça da Sé. Foto: Rafa Alves via flickr.