Livro

Sete livros brasileiros para quem ama viajar

Travel writing é um termo chatinho. Primeiro que pode ser difícil definir. Guias de viagem são travel writing? Uma lista como “10 coisas que você não pode deixar de fazer antes dos 20 anos em Los Angeles” é travel writing? O Céu que Nos Protege do Paul Bowles, ficção, é travel writing? Acredito que a resposta é “sim” para todas as perguntas. E os cursos de travel writing internet afora (como o da Matador Network) concordam, ensinando diversos formatos.

O segundo ponto é que, sendo brasileira, tento procurar tradução. “Literatura de viagem” é o correto. Mas parece limitador, já que as listinhas do Buzzfeed ou guias de viagem não remetem exatamente a literatura, uma palavra que passa seriedade. “Writing” define tudo que é escrito, independente de formato e mídia.

A lista não considera guias nem blogs. Apenas livros (alguns de ficção) com temática viagem, em português. Um ou outro você já conhece, tenho certeza. E já que estamos no assunto, aproveita e vê essa lista: as melhores HQ sobre viagem (tem boas dicas nos comentários!).

Fernando Sabino – De Cabeça Para Baixo

Quer definir travel writing? Sabino o faz: “andanças, vivências e tropelias por este mundo afora”. São histórias de um mundo que não existe mais, de quando se viajava de navio e ir para a Europa era desbravar um continente desconhecido. Os mais de trinta anos de viagens (de Paris à Havana, do Marrocos à Dinamarca) são contados com a elegância, cultura e humor característicos do escritor, um dos maiores contistas brasileiros, que faleceu em 2014. Infelizmente fora de catálogo, mas dá para achar em sebos. A imagem que ilustra a matéria é detalhe dessa capa.

Queria ter Ficado Mais

Acabou de ser lançado, é uma coletânea com 12 histórias de 12 escritoras na estrada, contadas em forma de cartas. Tem as escritoras Clarah Averbuck e Bruna Tiussu, a jornalista argentina Cecilia Arbolave, a ex-comissária de bordo Luciana Breda, entre outras, e conta com as belas ilustrações de Eva Oviedo. À venda online aqui.

Istambul em ilustração da Eva Uviedoe em texto da escritora e viajante mineira Lívia Aguiar.

Paulo Coelho – O Alquimista

O livro mais famoso do mais bem sucedido escritor brasileiro em todos os tempos. Você sabia que é possível ler O Alquimista em 65 línguas? O livro conta a história de um viajante numa jornada de descobrimento e iluminação entre Espanha e Egito. É uma história simples e universal, narrada com emoção – daí o sucesso que faz desde o lançamento em 1988.

Em 65 línguas, tá?

Amyr Klink – Cem Dias Entre Céu e Mar

Relato de viagem clássico, com ecos de Jack London, é um dos livros de não-ficção mais vendidos no Brasil. É o primeiro livro do navegador Klink, que entre informações sobre os oceanos, narra aventuras entre gaivotas, tubarões e baleias a bordo de um pequeno barco a remo (!), sozinho (!!) por 3.500 milhas (!!!) no Atlântico Sul. A viagem completou 30 anos em 2014. Dá pra ler/ouvir uns trechos online aqui.

Klink e o pequeno barco que travessaria o Atlântico. Foto: Folha/UOL.

Felipe Gaúcho – Jovem o Suficiente

Já falei sobre ele nesse post. O jovem gaúcho Felipe Sant’anna passou anos juntando dinheiro com um amigo para fazerem juntos uma viagem de volta ao mundo. Em cima da hora, se viu sozinho. Foi mesmo assim, registrando imagens de crianças ao redor do mundo – daí o nome. O livro acabou de conseguir apoio via crowdfunding e Felipe virou uma espécie de celebridade, sendo entrevistado em jornais, TV e rádio.

Felipe em uma casa na Índia.

Érico Veríssimo – Israel em Abril

Escrito em 1969 quase como um diário, é um dos quatro livros de viagem do escritor gaúcho (os outros são Gato preto em campo de neve, de 1941, sobre os Estados Unidos, A volta do gato preto, de 1946, também sobre os Estados Unidos, e México, de 1957). Veríssimo, então com 61 anos, a convite do governo de Israel e acompanhado da esposa, mistura informações históricas a suas observações e pensa sobre o futuro do estado de Israel e sua importância para a materialização da identidade sionista. Nem imaginava que quarenta anos depois o assunto ainda estaria em pauta. No site da editora dá pra ler um trecho em PDF.

Raridade (mas tem reedição de 2010 da Cia das Letras).

Karla Monteiro – Karmatopia: Uma viagem à Índia

A autora, que é jornalista de profissão, se jogou por um semestre na Índia para investigar o fenômeno espiritual do país, conversando com turistas em busca de iluminação e gurus que alegam oferecê-la. Cheia de bom humor, Karla criou um livro-reportagem bastante atual sobre o que buscam e o que encontram aqueles que viajam para esse país tão diferente e distante do nosso.

Varanasi, Índia: um dos destinos explorados por Karla em Karmatopia.

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* o How to Travel Light recebe uma comissão por venda a partir dos links nesse post, mas isso não altera o preço para você :)