Mas Você Vai Sozinha?, Prosa

Setembro

Mas Você Vai Sozinha / Gaía Passarelli, Anália Moraes

Nossa, mas foi comprido esse agosto de 2016, hein? Tipo 30 anos em 31 dias. Num só mês teve road trip por Portugal, festa de tapas na Espanha, voltar pra casa e fazer a primeira mamografia da vida (tô saudável, mas mamografia é uó). Teve correr da PM e ir num teatro alterna ver um povo tirando roupa e falando poesia. Teve Dilma citando Maiakovski no final do Show do Impeachment. 

Em temas mais amenos, teve uma porção de episódios envolvendo Pokemón Go, rever as temporadas 3-5 de Gilmore Girls para descobrir que a série é mais legal hoje do que era em 2000 e pouco, ler minha primeira novela inteira de literatura russa numa sentada só (“A Morte de Ivan Ilitch”, já leu?). Também teve voltar pra academia, teve arroz de grelos (pode rir) e pudim do Abade de Priscos. Teve cantar e andar de braço dado com amigas na descida da Consolação antes da Tropa de Choque jogar bombas em todo mundo, que foi quando tudo começou a ficar muito confuso. Ou melhor, verdade confuso já tava, só que piorou.

No meio do caminho também teve aniversário da minha mãe, teve decidir e desistir de ter cachorro, teve atravessar incêndios sinistros nas montanhas do norte de Portugal e desfalecer de calor em Madrid, onde também comi uns cogumelos recheados com linguiça que só de lembrar minha barriga ronca. Teve voltar a estudar, amém. Teve negar um trabalho, aceitar outro, jogar aquele que estava aceito pra novembro. 

E, finalmente, teve o acerto da capa do meu livro, que foi ilustrado pela Anália Moraes, tem orelha da Babi Souza e chama “Mas Você Vai Sozinha?”, assim com interrogação porque essa é uma pergunta que a gente vive ouvindo. O lançamento vai acontecer no final desse mês numa das minhas livrarias preferidas em São Paulo. E em agosto mesmo comecei as primeiras entrevistas, o que me lembra que nesse mês bem lôco também teve eu posando de modelo pra minha marca de roupa preferida, a Básico.

Mas agora é setembro e é outra história. O mês começa com o festival do Ganesha na Índia e essa é aquela divindade-elefante que protege os novos caminhos e os recomeços, aquele que remove pedras e ouve quem chama. Não por acaso, setembro também tem primavera. Setembro vai ser foda. 

Sendo escritora aqui do lado de casa.

Sendo escritora aqui do lado de casa. Veja mais aqui.