Livro

Viajando em livros, pt 5

Sou adepta do escapismo, sim. E aproveito o Dia Internacional do Livro (23/04) para lembrar que, em tempos bicudos como esses que vivemos, só a leitura salva. E também que estou me preparando para lançar meu primeiro livro (de verdade! de papel! com capa e lombada!) no segundo semestre de 2016 pela Globo Livros.

Esse post com três dicas é o quinto da série Viajando em Livros. Tem muito mais na minha lista de travel writing no Goodreads.

Torre de Roche – Love with a Chance of Drowning

Mulher de meia-idade conhece homem misterioso num bar e embarca com ele num veleiro para atravessar o Oceano Pacífico. Sim, é uma história de viajar-e-encontrar-amor-verdadeiro, realização de sonhos, final feliz e tal. Mas Torre DeRoche, a autora, morre de medo de água. E por isso o livro funciona. Não é uma leitura que vai mudar sua vida (a não ser que você se inspire a atravessar um oceano de barco) mas é uma lição de perseverança. Depois de sentar a bunda na cadeira e escrever página por página (que é o único jeito de escrever um livro, afinal) Torre viu editora após editora negar seu original e decidiu publicar o livro sozinha. O resultado foi um elogio da guru das mulheres de meia idade em busca de viajar-e-encontrar-amor-verdadeiro, a Elizabeth Gilbert (posso tirar barato porque a amo de verdade), seguido de um estrondoso sucesso de vendas diretas na Amazon e um acordo milionário para republicar pela gigante editorial Penguin. Tô esperando virar filme.

Lavinia Spalding – Writing Away: A Creative Guide to Awakening the Journal-Writing Traveler

“Making the journal equal to the journey is simply a matter of shifting your intention: you’re no longer traveling and keeping a log on the side, but embarking with a dual purpose.”

Um livro sobre travel writing bastante literal. Writing Away é sobre a arte de manter um diário de viagem, uma arte que requer mais do que criatividade e talento (apesar que isso ajuda) mas principalmente dedicação. Lavinia Spalding dá dicas que passam por como ter um diário bonito, ter uma rotina de escrita ou espantar a preguiça. A autora também é a curadora da série de contos de viagem Best of Women’s Travel Writing, que sai todo ano pela Traveler’s Tales, da qual já falei nesse post.

Martha Gellhorn – Travels with Myself and Another

“Nothing is better for self-esteem than survival.”


O nome Martha Gellhorn não é imediatamente reconhecível, mas ela foi uma das grandes correspondentes de guerra do século XX, cobrindo da guerra civil na Espanha à conflitos na China e Nicarágua. Tanto que tem um prêmio com seu nome, o The Martha Gellhorn Prize for Journalism (que premiou Julian Assange, entre outros). Esse livro de memórias lançado no fim dos anos 1970 lembra aventuras em várias partes no mundo. O “outro” do título não é explicado explicitamente, mas Ernest Hemingway foi companhia de viagem de Martha por mais de uma década, com humor afiado e personagens como Dorothy Parker, Gary Cooper, o próprio Hemingway, dissidentes russos e hippies em protestos contra a guerra do Vietnã.

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* Foto do destaque: Patrick Tomasso via Stocksnap