Música

Washed Out pós-chillwave

Washed Out Band Photo. Ernest Greene pictured.

“O álbum que definiu o chillwave”, de acordo com o Guardian, é Within and Without do Washed Out, projeto de Ernest Green lançado em 2011.

A única pergunta a ser feita é “o que é chillwave?”. A tag foi muito usada entre 2009 e 2012 pra definir sons etéreos, altamente melódicos e lo-fi. Pense em lomografia musicada de férias de verão, mais uma estética do que um gênero musical: romântica, contemplativa e confortável como uma camiseta velha.

A classificação, como tudo que a imprensa indie/musical se apressa em rotular, caiu em desuso rapidamente, não sem antes tentar grudar em artistas como o funk Chaz Bundick, do Toro y Moi, e o eletrônico cabeçudo Gold Panda. Eles foram espertos e se safaram dessa – o Washed Out, não. Agora, se realmente houve uma onda chillwave na música, ela passou, e isso dá espaço para que o segundo disco de Ernest Green seja apreciado sem ter que lidar com essas bobagens.

Por isso é bom que Paracosm, que a SubPop lança em agosto, siga algumas das diretrizes que “definiram o gênero” no passado. Harpas, ecos, sons naturais e preguiça ensolarada continuam por lá. Houve evolução: a produção soa melhor acabada, instrumentos como cordas e sopros são mais claros, as batidas são menos esparsas. Green afirma ter usado mais de cinquenta instrumentos diferentes na gravação do disco, incluindo teclados antigos. “Eu queria criar arranjos mais envolventes,” disse no site da SubPop, “mas não conseguia o efeito com samples. Os sintetizadores que eu usei tem um som gasto e oferecem flexibilidade, já que são tocáveis.”

Energizado por essas experiências em estúdio, o disco carrega a delicadeza das composições para acima dos clichês. É agradável, harmonioso, levemente eletrônico. Claro que funciona mais pra quem é fã de Cocteau Twins do que pra quem pira em Ratos de Porão (só citando exemplos aqui de casa, nada pessoal). Mas quem é capaz de apreciar os dois, deve gostar de Paracosm.

Abaixo, lyric video de ‘It Feels All Right’, primeiro single do álbum (que está livre, leve e solto na sua rede de pirataria digital preferida).

Quem é do tipo que compra, que faz o mundo girar, pode fazer o pre-order aqui no site da SubPop – e ainda ganha uma camisetinha!

PS: achei no 505 Indie.