Música

Where’s Yr Child, Marshall Jefferson e 100% Silk

Postei ontem um trechinho não-usado da entrevista que fiz com o Cameron Stallones/Sun Araw pro site rraurl.com. Tá aqui a íntegra.

Stallones é uma das atrações principais do festival Novas Frequências, que acontece a partir de amanhã no Rio de Janeiro e tem no cardápio coisas BEM LEGAIS da “nova música”, como os brasileirosPazes e Psilosamples e o norte-americano Com Truise. Mais sobre o Novas Frequências aqui.

 

Uma das coisas legais que Stallones conta na entrevista é a inspiracão que tem recebido de tracks clássica da house music e nomes como Marshall Jefferson – a saber, um dos principais nomes da dance music ancestral, autor de hits de pista de dança como esse e esse. Seu coletivo Where’s Yr Child realiza festas e remixes para pista enquanto propõe usar a música dançante para fazer o mesmo que a música introspectiva e experimental de fones de ouvido: alterar seu estado de consciência.

É aqui que a psicodelia muito doida desses caras que criam música sintética cheia de camadas e efeitos volta para as pistas e as torna divertidas e interessantes de novo. Não sei dizer se é sintoma dos cada vez mais chatos shows “indie”, da farofa genérica que se tornou a “música eletrônica” ou do retorno natural dos anos 90.

A música hoje é feita de cenários microscópicos. Nenhuma previsão apocalíptica podia prever um mundo com tantas subculturas. Por exemplo, já viu o sea-punk? (isso é assunto pra outro post)

Esse cenário indie-dance norte-americano hoje parte de experimentalismos doidões, drone e psicodelia para… bem, para fazer as pessoas dançarem. Como a galera ligada ao selo 100% Silk, uma subdivisão do Not Not Fun, que foi assunto semana passada num ótimo artigo da MTV Hive (leia aqui). Os grandes destaques do 100% Silk são os LA Vampires (da ex-Pocahaunted Amanda Brown, pense em efeitos sinistro caindo pro mais arrastado hip hop), a ultra-cool Maria Minerva (que já foi assunto aqui e declarou para a MTV Hive: “Eu odeio shows indie, onde todo mundo fica de parado e ninguém dança, é muito chato”) e o Ital (que, apropriadamente, homenageia Candy Staton e Frankie Knuckles).

http://api.soundcloud.com/tracks/20630694

 

Ital é mais um projeto do inquieto Daniel Martin-McCormick (Black Eyes, Sex Worker, Mi Ami). O delicioso “Ital’s Theme” não passou batido para publicações como a XLR8R e quem procura eletrônica vanguardista. McCormick é responsável por algumas das coisas mais interessantes dentro dessa tag experimental-dançante e um dos nomes responsáveis por uma bem-vinda renovação na house music – e faz isso prestando homenagem a seus criadores que, tenho certeza, aplaudiriam a mistura de acapella com batidas estranhas feita para as pessoas dançarem. Há um DNA underground, improvisado e desrespeitoso de qualquer regra que se torna comum ao começo dos anos 90 e ao começo dos anos 10. Esse mix do Ital pra Fact talvez seja o exemplo mais interessante disso.

Ah, Tem um bom perfil do cara também, aqui.

Go go go: http://wheresyrchild.com/http://www.listentosilk.com/