🍸 Paulicéia + Liv Brandão: 11 lugares para comer e beber bem na Barra Funda
30/04/2026 | Um dos bairros mais cool do mundo? É difícil discordar!
A edição de hoje é assinada por Liv Brandão, carioca e habitante da Barra Funda, autora da newsletter homônima aqui no Substack.
Se você vive minimanente as ruas de São Paulo, é impossível não reparar no processo de pinheirização (ou santa-cecilização, como achar melhor) da Barra Funda.
Mas calma, militante: o boom imobiliário que destrói memórias, ergue prédios bizarros a torto e a direito e gentrifica tudo em volta ainda não chegou com força ao bairro meio-zona-oeste-meio-centro.
Claro que vai chegar, pois sabemos como funciona o capitalismo, mas nesta edição do Guia Pauliceia vamos nos debruçar sobre a parte boa do negócio: a Barra Funda está bombando de bares, restaurantes, centros culturais e galerias, quase como um East Village paulistano, para quem adora uma comparação com a gringa.
De tanto fervilhar, o bairro foi considerado o terceiro mais cool do mundo – e, consequentemente, o mais maneiro de São Paulo – pela revista Time Out. Disso você também deve ter ficado sabendo. O que nem todo mundo faz ideia – eu mesma, como carioca apaulistanada há sete anos, não fazia – é que o bairro nasceu no fim do século 19, impulsionado pela linha do trem e pela proximidade com o Rio Tietê, o que lhe deu vocação industrial e logística. É por isso que ainda se veem tantos galpões, antigas fábricas e armazéns dos dois lados da ferrovia.
Por isso, durante muito tempo, a Barra Funda foi considerada um bairro de passagem. Mas, nos últimos anos, a região virou parada obrigatória: só no meu Google Maps são centenas de pins espalhados. Nesta edição do Guia Pauliceia, a minha amiga Gaia Passarelli me deu carta branca para sinalizar os meus 11 queridinhos da BF, mas, como são muitos, decidi focar a curadoria em espaços mais recentes e menos óbvios (mas, perceba que eu dei uma roubadinha e citei muitos outros 😉, porque a Barra Funda é um mundo à parte e vale ser desbravada).
El Bodegón
Do mesmo grupo do Trago (o bar de drinks pioneiro dessa revitalização da Barra Funda), Es.trago (voltado para o chope e cerveja) e Água e Biscoito (onde o foco são os vinhos e a cozinha crua), o El Bodegón é um bar e restaurante de inspiração argentina, comandado pelo chef carioca Marcus Kim. Como não poderia deixar de ser, a casa serve embutidos (como a excelente morcilla), empanadas e cortes de carne como vacío, chorizo, ancho e asado de tira, e traz decoração inspirada nas mais autênticas biroscas de Buenos Aires. Fica ali no finzinho do fervo da Rua Souza Lima, colada na linha do trem que é parte da personalidade do bairro., Ah, a casa não faz reservas, o otendimento é por ordem de chegada
📅 Ter a qui das 18:00 às 23:00, Sex das 12:00 às 15:00 e 18:00 às 23:00, Sáb das 12:00 às 23:00, Dom, das 12:00 às 17:00
📍 Rua Sousa Lima, 43
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Breaca
Aberto em janeiro deste ano, o bar da querida antropóloga Monique Lemos (e de outras três sócias, todas mulheres!!!) já virou daqueles que lotam a calça de gente bebendo e conversando em pé, do jeito que a autora desta edição gosta. Também pudera: além de apostar num cardápio brasileiríssimo com entrega de alto nível, ainda conta com uma programação musical impecável – o que inclui uma roda de pagode toda segunda-feira – dia em que era quase impossível achar algo legal para se fazer em São Paulo –, e DJs de estilos variados nos outros dias da semana. Para beber, o maior hit da carta de Camila Carlos é o Xexéu (Aperol, frutas amarelas, limão e solução salina). E antes que você ache que sair numa segunda é muita estragação, saiba que todos os drinks têm versão não-alcoólica (e mais barata). Para comer, vá de barriga de porco glaceada e/ou antepasto de jiló assado.
📅 Seg das 18:00 às 00:00, Qui e sex das 18:00 às 01:00, Sáb das 16:00 às 01:00, Dom das 16:00 às 00:00
📍 R. Barra Funda, 701
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Circo Caju
Mal abriu as portas vermelhas ao respeitável público e o espaço comandado pelo artista circense Cafi Otta e pela produtora cultural Juliana Mesquita já tem uma programação bombante. Dedicado à criação, programação e formação artística, o Circo Caju aposta em diferentes linguagens como o circo (claro), teatro e música. Tem cabaré, tem show intimista, oficinas mil e o que mais couber naquele pé direito imenso. A restauração do imóvel, na mesma Rua Lavradio do Boteco de Manu, foi feita uma ajudinha dos amigos reaproveitando materiais da construção original, doações, uso de energia solar e captação de água de chuva. O espaço conta ainda com café, cervejinha, quitutes, um jardim comestível com espécies da Mata Atlântica. Neste feriado o casal CaJu vai descansar, mas vale ficar de olho na intensa programação no Instagram, que volta a partir de terça.
📍 R. Lavradio, 404
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Fagnolo’s
Como uma carioca que se preze, sou daquelas que acham que pizza é boa até quando é ruim. Mas esse definitivamente não é o caso das pizzas servidas pela Fagnolo's. De estilo napolitano, essa abençoada moda, elas têm massa levíssima, borda crocante e são feitas no forno à lenha. Além disso, as pizzas vêm em tamanho individual, para comer com a mão mesmo, sem frescura alguma. Já zerei o cardápio, que tem bruchettas e bolinhos de entrada, mas a minha preferida é a carbonara, com válida licença para o molho bechamel, mussarela, bacon, parmesão, pimenta do reino e gema de ovo. Para quem gosta de pizzas mais tradicionais e com uma quantidade insana de recheio, vá na La Gustare, também no bairro.
📅 Qua a dom das 18:00 às 23:00
📍 R. Sousa Lima, 93
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Farinha Padaria
Fazia muito tempo que eu falava que esse bairro carecia de uma boa padaria, e minhas preces finalmente foram ouvidas com a abertura Farinha Padaria (que antes só existia para retiradas, fornecendo para outras casas da região, como o vizinho Bandeira Bandeira). Em formato de micro padaria, a casa aposta na produção em pequena escala dos pães de fermentação natural, e é tudo muito gostoso. O espaço tem apenas 15 lugares, mas salva na hora de um café da manhã ou brunch mais demorado, com atendimento atencioso, café bem tirado e quitutes com o lox no bagel com salmão ou atum e a rabanada fofinha com frutas e chantili.
📅 Qua a dom das 08:30 às 16:30
📍 Rua Camerino, 99
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Laska
Adorava o extinto Laskarina Bouboulina, que ocupava a Casa Belfiore (que hoje abriga o Papoula), tambéééem na Souza Lima. Por isso, fiquei feliz quando soube que uma das sócias abriria o Laska pertinho dali, na Rua Doutor Sérgio Meira. Num galpão adornado por trepadeiras do lado de fora e, por dentro, uma belíssima decoração com direito a balcão (e eu amo balcões) a casa traz inspiração cigana inclusive no cardápio. Tanto os pratos quanto os drinks autorais trazem ecos da Índia, do Mediterrâneo e da Etiópia, por exemplo, o que dá numa boa mistureba. Apesar da descrição simples, o espeto de pancetta (pancetta finalizada com glacê de porco com especiarias no vinho branco servida com vinagrete de repolho roxo e maionese de cebola caramelizada) me surpreendeu positivamente, e olha que as expectativas eram altas. Do ambiente ao cardápio, tudo é encantador.
📅 Qua e qui das 19:00 às 23:00, Sex das 19:00 às 23:30, Sáb das 16:00 às 23:30, Dom das 13:00 às 19:00
📍 R. Dr. Sérgio Meira, 51
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Pilotto
Quando não está rodando por aí, o foodtruck amarelo que leva o sobrenome do dono estaciona em frente a uma portinha da rua mais movimentada da Barra Funda. É nela, espremida entre o Mistura e o Mescla (o bar e o restaurante do chef Checho González), que reside mais um restaurante dedicado a trazer o mar para São Paulo (amém!). Bem diferente do também barra-fundense (e igualmente ótimo) Sururu, no Pilotto o cardápio é enxuto traz sempre opções sazonais. Tudo sempre delicioso, compartilhável e descomplicado, sem a pompa de guardanapos brancos e talheres de peixe de outrora (amém de novo!). Amo o atum tonnato – que voltou à moda depois da última temporada de The Bear, repare – e a lula na brasa com hommus de abóbora e pepino, que acompanho ora com vinho, ora com cerveja.
📅 Sex das 19:00 às 23:00, Sáb das 13:00 às 22:00, Dom das 12:00 às 17:00 (não abre no último domingo do mês)
📍 Rua Sousa Lima, 299
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Por Amor
Para não dizerem que eu não falei do outro lado da linha do trem (que ainda abriga o Komah, Caracol, e muitos outros), destaco o bar com clima de boteco e cardápio caprichado. Dos mesmos sócios do Quina, balada vizinha ali na Luigi Greco, o Por Amor é da bagunça. O clima é aquele que a gente conhece bem e adora: mesas na calçada, gente em pé papeando, barulho de trem, e de vez em quando até um show do Rom Santana. Tudo regado a cerveja gelada (mas também tem carta de drinks autorais e clássicos e vinhos). Para forrar a pança, adoro as opções feitas na brasa como o coração de galinha (marinado com gochujang, gengibre, alho e mascavo) e a lula e porco (lula na brasa, bacon caramelado, molho romesco, amendoim, ervinhas e pão pra não deixar sobrar nada), ambos servidos com vinagrete de milho, salada de batata e farofa de cebola.
📅 Qua e qui das 18:00 às 23:30, Sex das 18:00 às 00:30, Sáb das 16:00 às 00:30, Dom das 14:00 às 22:00
📍 R. Luigi Greco, 222
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Raio que o Parta
O nome, engraçadinho a uma uma primeira audição, pode até remeter a um boteco, mas de boteco o Raio que o Parta não tem nada. Primeiramente, o espaço vizinho ao Minhocão, é batizado em homenagem ao movimento arquitetônico paraense que inspira o BELÍSSIMO décor da casa (e não, não é em alusão à expressão que sua avó usava). Segundamente, trata-se do bar mais cheiroso de São Paulo, afinal, ele divide espaço com a floricultura Fialka (outra queridinha da autora). São dois ambientes: um com mesão compartilhado com outros frequentadores, as flores e os peixes sendo maturados. O outro fica escondidinho, mais intimista, com um balcão perfeito para dates, onde servidos drinks que encantam qualquer um que dê valor à coquetelaria bem feita. O cardápio de comes é mais enxuto e traz opções como a seleção do mar (escabeche de mexilhão, peixe cru do dia com bottarga, manteiga de aliche, picles de erva-doce, salada de folhas e pão de fermentação natural), para compartilhar.
📅 Qui, sex e seg das 19:00 às 02:00, Sáb das 19:00 às 02:00, Dom das 17:00 às 00:0
📍 R. Margarida, 30
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Ronin Café
O vácuo deixado pela migração do Amarello Café para os Jardins foi muitíssimo bem ocupado pelo Ronin, que agora abre diariamente e sempre tem fila na porta. Autointitulada uma “cafeteria de cozinheiros”, a casa dos chefs Pedro Nóbrega e Vitor Ribas faz jus à banca que coloca e serve comidinhas deliciosas – aquele simples com um tchan, sabe? – para acompanhar os cafés especiais preparados com técnicas variadas. Eu amo o queijo quente (que leva mix de queijos, cebolinha e toffee de alho), o tiramisú diferentão e o espresso tônica.
📅 Seg das 12:00 às 18:00, Ter a dom das 10:00 às 18:00
📍 R. Dr. Albuquerque Lins, 253
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siLo
O siLo se define como um bar para beber vinho, ouvir música e falar da vida, que é exatamente o que sempre me atrai para lá. A casa, na Brigadeiro Galvão, entra na longa (e apreciada) lista de estabelecimentos descontraídos do bairro, com DJ sets aos fins de semana. Assim como a Casa Tão Longe, Tão Perto, a carta de vinhos foca em poucos rótulos da América Latina e com preços mais acessíveis, a partir dos 21 reais a taça. Também simples, o cardápio de comidas traz opções clássicas, como bruchettas, tábuas de queijos e charcutaria. Tudo básico, mas tudo muito gostoso. Para aqueles dias que você só quer ser feliz comendo e bebendo uma coisinha, para focar em quem está contigo, seja uma amiga ou um date.
📅 Ter, qua e qui das 18:30 às 23:00, Sex e sáb das 17:00 às 00:00|
📍 R. Brigadeiro Galvão, 745
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🪨 Não perca: Feira da Rocha, no Bixiga
De sexta a domingo, a Rua Rocha, no Bixiga, vira um corredor de 400 metros dedicados à literatura e ao bairro: é a segunda edição da Feira do Livro da Rocha, que reúne 57 editoras, sete livrarias e 30 organizações sociais, com 64 atividades espalhadas por sete palcos e um espaço infantil.
Com tema Bem-viver e homenagem à escritora e ativista Thereza Santos (1930–2012), a programação mistura mesas, roteiros pelo Bixiga, teatro e música, além de uma oficina de bonecas de pano inspiradas em orixás.
📅 01/05 a 03/05, das 10h às 20h
📍 Rua Rocha, entre as ruas Itapeva e Una
🎟️ Gratuito
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Na base do achismo e da experiência: apenas restaurantes que conheço, onde almoço ou já almocei. Todas as dicas estão com Instagram para facilitar sua consulta.
























almoço no El Bodegón: quero
Recentemente estive no Água e Biscoito e comi muito bem! Cozinha excelente!