Cê vê: na edição da semana passada teve typo. É capaz que hoje também tenha.
Mas vambora porque a outra opção é pior: não fazer. A edição de hoje está sem paywall porque, acho, marca o começo da nova fase que eu estava tentando começar, que de algum jeito que ainda não consegui elaborar, amarra esse projeto com a forma e proposta que ele teve lá em 2021. Mais sobre isso nas próximas edições.
E, sim, saiu com um pouco de atraso. Not sorry.
Lembrando que como apoiador desse projeto você tem um acervo inteiro para ler quando quiser, incluindo os Guias especiais de São Paulo. Obrigada por fazer parte disso.
Falar não
Querer ser boa em algo. Ser boa em algo. Contar para alguém que é boa em algo. Ter orgulho de ser boa em algo. Ganhar dinheiro sendo boa em alguma coisa, qualquer coisa, mas uma coisa sua. Se cuidar. Gostar de se cuidar. Gostar de acordar cedo. Estar num relacionamento que não acaba com a sua vontade de viver. Estar bem com seu corpo, Querer estar bem com seu corpo. Se esforçar para estar em com seu corpo, seja qual ele for. Com a sua idade. Com a sua cara. Estar bem com a sua cara. Não querer mexer na sua cara. Não querer perder peso até ficar parecendo um lápis. Comprar uma coisa bonita que faz você se sentir bem. Economizar dinheiro e pesquisar preços para comprar uma coisa comum que você precisava comprarecomprou a opção menos cara. Não comprar nada, porque não está dando - quem sabe um dia. Se arrumar pra sair. Se arrumar pra ficar em casa. Se arrumar demais. Se arrumar de menos. Não se arrumar at all. Passar batom vermelho que não combina com a sua cara, passar aquele batom rosinha xoxo que tá todo mundo usando, não passar batom. Comprar livros demais, livros de menos, comprar e não ler, postar sem ler, não postar, nem ler. Reler um mesmo livro. Sair cedo e chegar cedo pro compromisso. Não sair. Nem marcar o compromisso. Dizer: não posso. Não explicar porque não pode, o importante é que você não pode, e não vai, atender aquilo que você não pode e não vai atender. Falar não para aquilo que você não pode, não quer e não vai fazer. Não pedir desculpas por isso.
David Bowie da semana: Moonage Daydream
Eu fiquei meio meh quando vi Moonage Daydream, o documentário-arte de Brett Morgen no cinema.
Não que seja ruim. Longe disso: é ótimo. Mas falta ali o impacto, o pé na cara de “Moonage Daydream”, uma das grandes faixas do Ziggy Stardust and the Spiders From Mars. É um filme contemplativo, filosófico, mais uma complexa e longa montagem audiovisual do que um documentário.
Mas seria bobagem dizer que não é um filme para quem quer se aprofundar na vida e obra do Bowie. O Bowie foi esse artista filosófico com uma trajetória longa e complexa, que não se eximiu de contemplar sua vida e obra, mudando sempre que necessário.
Nesse sentido, Moonage Daydream talvez seja o filme mais Bowie possível: a tela nunca pára de se transformar, é caleidoscópico, profundo, brilhante. Você pode deixar passando de fundo na sala. Você pode fumar um baseadão e mergulhar na história.
Na desconfortável sala 5 do Belas Artes, acompanhada do meu filho (que não tá nem aí pro Bowie) não rolou muito. Mas é aquela coisa, né: smepre vale tentar de novo.
O Moonage Daydream do Brett Morgen tá na Mubi, aproveite para se inscrever e assistir no conforto do lar.
🔗 Saiba mais
Moonage Daydream no Bowie Bible
🧊Atenção, atenção!
Alerta de livro novo da Terreno Estranho: Fabio Massari, o maior que temos, convida para apoiar a nova edição do clássico Rumo Á Estação Islândia, atualmente fora de catálogo e com status de raridade,
Lançado em 1999, o livro acompanha uma viagem de Massari à terra dos Sucarcubes para descobrir a história musical do país. Com faro de pesquisador, o reporter mergulha no rock e no pop da Islândia, listando bandas de garagem, psicodelia, punks e pós-punks, música eletrônica. Estão ali medalhões como Sigur Ros e Gus Gus, claro. Mas também uma coleçao extensa de projetos e artistas que você talvez não conheça, como Das Kapital e Icecross. Se em 1999 a pesquisa tinha um quê de ineditismo, em 2026 ela funciona como registro histórico de enorme importância, e tem o benefício da tecnologia - lá atrás não dava pra googlar nomes de bandas e aquilo que você ainda não conhecia vivia apenas nas descrições acertadas do Massari.
A edição comemorativa de 25 anos é viabilizada no Catarse, prêmios como pôster em risografia. Mas o mais importante, você sabe, é fazer acontecer e recolocar esse livraço no mundo.
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Na edição de hoje: watching the tide roll away e pensando no “cracked actor” como projeto multifacetado.










Tem um duende que, entre o envio e a publicação, insere erros de digitação em todos os textos.
A Ciência da Computação consegue explicar melhor isso 😁