Links de segunda: Substack Open Tab, Liz Kelly Nelson e Music Thundervision
25/05/2026 | Três coisas para ver/ler/ouvir.c
Amo links, lista de dicas curtas e afins. O Guia Pauliceia é meio isso, encaixado num formato “coisas para fazer em SP”. A Zeladoria, que sai uma vez por mês, também não é nada além de uma lista de coisas para ler/ver/ouvir - aquilo que se convencionou chamar “curadoria cultural” e que aqui no Substack a Bárbara Bom Angelo, por exemplo, faz super bem (fora daqui: a Índice, a Aurora e a New Plan Journal são newsletters que abro sempre!
Então hoje estreio uma mesinha nova nesse boteco: os links de segunda, na melhor tradição post de blog, com posts que não são enviados como edições de newsletter e que estarão disponíveis apenas no site. O nome é autoexplicativo.
Substack Open Tab
O Substack estreou sem grandes alardes o Substack Open Tab: série de entrevistas em vídeo produzida pela plataforma e focada em empreendedores de mídia independente — gente que montou newsletter, publicação solo ou com times pequenos:
Descrito como um “media founder show”, a ideia é ter, semanalmente, conversas com pessoas que estão construindo mídia independente na plataforma (e também fora dela), num clima informal e gravado em bares, cafés ou restaurantes que os convidados já frequentam.
Os episódios ficam disponíveis no On Substack, o canal oficial de novidades da plataforma, e dá pra ver tanto pela web quanto pelo app — que, na minha experiência, é onde roda melhor.
Segundo o Substack, a primeira leva vai ao ar ao longo de junho de 2026; não existe um anúncio oficial fechando “temporada 1” com um número exato, mas, mantendo o ritmo desde a estreia em 07/05, eu esperaria algo como seis a oito episódios nessa primeira leva.
Três já estão no ar: a estreia foi com a Emily Sundberg (criadora da Feed Me), o segundo episódio foi com a psicoterapeuta e escritora Esther Perel e o terceiro com o jornalista (e biógrafo do Elon Musk) Ashlee Vance:
No LinkedIn, os hosts Hamish McKenzie (cofundador do Substack) e Hanne Winarsky (Head of New Media) mencionaram episódios prontos com a editora Joanna Coles (Marie Claire, Cosmopolitan, Daily Beast) e a crítica cultural e roteirista Hunter Harris (que escreve a newsletter Hung Up no Substack).
Podcast do Thunder
Luiz Thunderbird, o mais longevo VJ da MTV, vem usando seu Music Thundervision no Youtube para falar com gente da música, e passei por lá na semana passada. A conversa, que tem mais de uma hora, passou por memórias musicais, gostos novos e velhos, histórias da MTV Brasil e anedotas da noite de São Paulo - tema do meu Deslumbre: Histórias de Obsessão Musical:
Aproveitando: noite de SP também será o assunto do meu papo com o Camilo Rocha na próxima semana na Feira do Livro do Pacaembu, que chega à quinta edição e ocupa a praça Charles Miller até o dia 07/06 com dezenas de estandes de editoras e conversas com autores convidados.
Liz Kelly Nelson e a nova geografia da notícia
Vale muito a leitura da entrevista com a Liz Kelly Nelson, veterana de redação e estratégia digital com passagens pelo USA Today, Gannett, AOL e, mais recentemente, Vox Media.
Justamente por ver de dentro os esforços de adaptação do jornalismo tradicional na era das plataformas, ela hoje se dedica a entender (e fortalecer) a geração de jornalistas independentes que apurando e noticiando fora das redações.
Após estudar essa transição numa Sulzberger Fellowship na Columbia Journalism School, Nelson fundou em 2024 o Project C, hub de pesquisa para apoiar jornalistas que tentam navegar as águas turbulentas da creator economy, para garantir que esse movimento venha acompanhado de treino e repertório de jornalismo rigoroso e baseado em fatos. Em 2026, ela também cofundou o Independent Journalism Atlas, um projeto para mapear o ecossistema crescente de repórteres independentes (quem são, onde estão, que tipo de trabalho fazem, como se organizam) — uma espécie de “cartografia” do novo jornalismo distribuído.
O “sintoma” que levou a Liz a largar uma cadeira grande e se dedicar a estudar o “onde estamos e para onde vamos” do jornalismo foi concreto: quando estava na Vox (onde foi vice-presidente), ela viu com clareza que alguns dos melhores jornalistas estavam escolhendo sair para construir carreiras independentes em plataformas como YouTube, Substack e TikTok, em busca de mais controle editorial e de oportunidades financeiras num mercado cada vez mais instável. Além, claro, de todos que vêm sendo saídos, aquilo que no Brasil nos acostumamos a chamar de “passaralhos” e que só não acontecem mais porque a força de trabalho nas redações brasileiras há tempos opera com o absolutamente mínimo necessário para não parar.
É a partir dessa observação que ela propõe a ideia de creator model journalism: uma prática jornalística que combine técnicas e linguagem de criação de conteúdo com prática jornalística, geralmente cobrindo nichos (porque a “publicação de interesse geral” hoje, na prática, virou o seu feed e a sua inbox), construindo confiança com uma audiência leal e tentando sustentar o trabalho de forma independente, fora de uma redação tradicional. Por aqui, talvez a Cazé TV seja o exemplo mais brilhante dessa possibilidade.
Nelson faz distinção entre aquilo que considera creator journalists e news influencers. Ela reconhece que os “news influencers” — a “opinion section of the internet” — são uma fonte real de informação para muita gente no mundo inteiro, mas separa esse universo mais opinativo de quem, na régua dela, está tentando fazer jornalismo com método, apuração e responsabilidade, mesmo operando com estética/plataforma de creator. E, ao mesmo tempo, creator journalists não substituem (e nem deveriam substituir) as redações tradicionais, porque existem tarefas que ainda dependem de estrutura, como investigações grandes, projetos longos e caros, equipes com múltiplas especialidades, edição pesada, etc. Mesmo com as melhores intenções, tem trabalho que exige músculo institucional.
Em relação ao receio maior das redações, que é ter creators como distrações do noticiário real (para não dizer espalhadores daquilo que não é exatamente notícia), Nelson considera que se você “tirar os creators”, a audiência não volta magicamente para o jornalismo tradicional, porque as pessoas já mudaram de lugar e de hábito. Logo, o ponto não é proteger formatos antigos, mas operar onde o público está e levar para esses ambientes o que o jornalismo tem de melhor.
“O desafio não é defender modelos; é garantir jornalismo rigoroso onde a audiência já está.”
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