Guia Paulicéia: 10 casas de shows, por Lina Andreosi
05/02/2026 | Dez espaços importantes e ativos da cidade, de inferninho a salão de baile
Oi,
O guia de hoje é especial e traz uma seleção de casas de shows de São Paulo escolhidas pela Lina Andreosi, repórter e pesquisadora, criadora da série Top 5 Shows, integrante do Toca UOL, colaboradora do Popload e produtora do Circuito Nova Música, Novos Caminhos:
As dicas da Lina vem em ótimo momento: nosso último guia de casas de shows, escrito pelo amigo Gui Werneck, é de 2022 (!). Além disso, a cena está on fire, sendo registrada e mapeada por iniciativas como a da Lina e A Newsletter da Musica, do Alexandre Bazzan, entre muitas outras ideias bacanas.
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10 casas de shows por Lina Andreosi
A maior metrópole da América do Sul, São Paulo é uma cidade onde tudo é possível - até uma semana seguida de música ao vivo! Essa é uma realidade graças às dezenas de casas de shows que existem na capital. A convite do Guia Paulicéia, fiz uma seleção dos meus dez espaços favoritos, destacando qualidades e programação.
- Lina Andreosi
Cine Joia
Um cinema dos anos 1950 na Liberdade, que foi culto evangélico e, enfim, tornou-se uma das casas de shows mais icônicas do país: esse é o Cine Joia. No ano em que comemora 15 anos de vida, o Joia lidera o ranking de clubes da América Latina com um dos sons mais complexos da cidade. Do seu chão levemente inclinado, que garante a visão perfeita de qualquer lugar da pista, ao fumódromo do segundo andar, que tem a vista (muito paulistana!) da 23 de Maio, é um lugar onde shows únicos acontecem — muitas vezes, literalmente! O Cine Joia tem um tamanho ideal para shows internacionais mais intimistas; só quem viveu St. Vincent em 2019, Father John Misty em 2022 e Yo La Tengo em 2025 sabe. E os shows nacionais não ficam atrás: um dos destaques do ano passado foi a celebração de 10 anos de Manual, segundo álbum da melhor banda de rock do Brasil, Boogarins. É uma dessas casas obrigatórias para conhecer em SP, e a programação deste ano está à altura da sua história.
📍Cine Joia: Praça Carlos Gomes, 82, Liberdade
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Picles
Por trás de um portão colorido na Rua Cardeal Arcoverde existe uma casinha muito engraçada. No Google, o Picles está definido como “bar com karaokê”, e essas duas características atraem público assíduo para o espaço, mas é na programação de shows que o Picles ganha brilho especial. A casa, criada pelo artista paulistano Rafael Castro, o Mr. Picles, é um parque de diversões para indies com pista intimista, espaço de jam session onde você pode ser o artista e, no andar superior, um karaokê (que você não pode pular sob hipótese alguma). Ainda dá para comer pizza por fatia. Há quem diga que o Picles é meio trasheira, mas foi um dos primeiros lugares em SP no pós-pandemia que senti que a cena de música brasileira tinha um espaço para florescer, para novas bandas tocarem e para a nova geração enteder o que é um inferninho: pista apertada, som torando e noites que parecem que só acontecem nos filmes. Esse é o Picles.
📍Picles: R. Cardeal Arcoverde, 1838, Pinheiros
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Porta
O Porta é, hoje, minha casa preferida! No fim de 2024, mudou para atual localização na Rua Horácio Lane, bem no meio do buxixo da Vila Madalena, ali perto do Beco do Batman - que estava meio caído, mas reviveu nos últimos anos. E esse último ano foi um ótimo ano pro Porta, a equipe conseguiu consolidar uma programação muito legal de shows, festinhas e o meu formato favorito: show com DJ set depois. É um espaço pequeno, e a forma como aproveitam a casa é muito legal, porque os shows acontecem no que seria a sala e tem um mezanino de onde você pode ver com um pouco mais de conforto quando está muito cheio. No andar de baixo, entre a pista e o quintal, tem um estúdio onde artistas ensaiam e, lá embaixo, uma loja de discos com uma seleção ótima, que está sempre tocando algo legal. E tem mais: a Pachorra Deli, com sanduíches e toast bem gostosos. Enfim: o rolê perfeito.
📍Porta: R. Horácio Lane, 95, Pinheiros
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Casa Rockambole
O selo Rockambole assumiu o imóvel onde funcionou a Casa Rio Verde, na Rua Belmiro Braga (paralela à rua do Porta) e transformou num importante espaço de médio porte da cena paulistana. Seu tamanho é um ponto interessante, porque essa é uma das poucas casas que comporta cerca de 500 pessoas de forma confortável, então vários shows nacionais e internacionais de maior porte acontecem por lá. A equipe faz uma curadoria muito bacana, sempre se renovando. Em 2025, transformaram um espaço, que foi o escritório do selo, em uma área para shows menores, com capacidade para pouco mais de cem pessoas, que virou um inferninho muito legal, possibilitando a execução de festivais, como o 5 Bandas, com mais um de palco.
📍Casa Rockambole: R. Belmiro Braga, 119, Pinheiros
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A Porta Maldita
Pra fechar o quadrilátero ali perto da Rua Girassol temos A Porta Maldita, que fica numa sobreloja na Rua Luis Murat (a subida para a Av Henrique Schaumann). Durante o dia, funciona como um estúdio e, à noite, casa de shows. A pegada da curadoria é mais de novasbandas, artistas que estão despontando agora na cena. Tutu Naná e Naimaculada, por exemplo, começaram fazendo shows n’A Porta Maldita. É um espaço importante para o ecossistema da música independente paulistana e é uma colaborativa, perfeita se você quer descobrir coisas novas (ou até começar a tocar!).
📍A Porta Maldita (R. Luís Murat, 400, Pinheiros)
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Bar Alto
Ainda na Vila Madalena, subindo um pouquinho mais para dentro do bairro, tem o Bar Alto, na Rua Aspicuelta. União de forças entre Balaclava Records e Popload, a casa funciona em diferentes andares, com bar de drinks, terraço e a pistinha onde rolam os shows. A programação tende a variar entre artistas nacionais, especialmente o casting da Balaclava, e algumas surpresas divertidas. Como o nome já sugere, o som é alto. Duas das experiências mais insanas que eu tive foram os shows da Lupe de Lupe, quando uma legião de fãs fiéis transformaram o Alto num mosh pit, e o side show do Geordie Greep, ex-frontman da banda britânica Black Midi, que agraciou fãs sortudos com um show histórico. Em janeiro e fevereiro está rolando o projeto Alto e Bom Som, uma programação pautada pelo manifesto indie entre Popload, Balaclava, Minuto Indie e Circuito Nova Música, Novos Caminhos, de colocar os artistas de destaque em 2025 para tocar ao vivo em um período que normalmente é fraco na programação indie.
📍Bar Alto: R. Aspicuelta, 194, Alto de Pinheiros
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Cineclube Cortina
Nem todo mundo considera o Cineclube Cortina uma casa de shows, primeiro porque eles começaram com a programação mais focada, obviamente, em cinema e hoje é uma casa de festas, principalmente indies. Mas desde o início eles tiveram alguns shows bem legais lá e como cabem por volta de 350 pessoas, acaba sendo uma opção muito interessante para artistas. O Cineclube fica ali naquela região do Centro perto do Copan que está começando a ser reativada agora, e eu já produzi bastante shows lá, tanto no Circuito Nova Música quanto no Inferninho Trabalho Sujo, com quem eu trabalhei por um tempo, e o espaço é muito bacana porque tem um som bom (com suas ressalvas, como todas as casas), tem espaço pra todo mundo dançar, ótimos drinks e eles colocaram os projetores no primeiro andar lá no salão que ficou muito foda.
📍Cineclube Cortina (R. Araújo, 62, República)
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Mamãe Bar
Eu elegi o Mamãe como o It Bar de 2026! Aqui a gente tá falando do queridinho atual da cidade! Eu acho nada a ver o fato da Barra Funda ter sido eleita por uns gringos como “3o bairro mais cool do mundo”, mas se eu tivesse que apontar um culpado: seria o Mamãe! O espaço começou como um bar pequeno e chic e, aos poucos, abriu a parte lateral para DJ sets e shows. Depois de uma bela reforma em 2025, virou o menor e mais legal espaço para assistir um show em São Paulo. A programação é ótima, com muita experimentação e olhar certeiro para as novidades na cena. Metade do rolê se passa na rua, no espaço entre o Mamãe e o bar em frente, o Papai. Agora no verão, eles estão com um galpão anexo, que é um espaço maior com programação aos fins de semana. E a Barra Funda é o melhor after de Carnaval, porque tem ótimos blocos pela região.
📍Mamãe Bar: R. Lopes Chaves, 391, Barra Funda
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Casa de Francisca
Além de ser o parque de diversões para fãs de música brasileira e erudita, a Casa de Francisca também é a casa de shows mais bonita de São Paulo, e eu brigo e morro para defender essa verdade. Fica no Palacete de Tereza, um prédio de 1910, restaurado, que vem se tornando um complexo de música ao vivo no Triângulo Histórico do centro da cidade. Começou com o Salão, no primeiro andar, com música ao vivo e uma comida divina. Depois, reformaram toda a frente e abriram a rua, então no térrero você tem um restaurante e eventos gratuitos que ficam lotados, principalmente em festas abertas como o Carnaval e o São João. No subsolo, o Porão tem programação extraordinária da nova cena - o show do Alberto Continentino foi simplesmente o melhor show nacional de 2025 e até o Iggy Pop estava lá. Mais recentemente, inauguraram a Sala B, um espaço menor, com palestras, exibição de filmes e apresentações mais intimistas.
📍Casa de Francisca: R. Quintino Bocaiúva, 22, Sé
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Bona Casa de Música
O Bona começou em Pinheiros, ali perto da Cunha Gago, numa casa linda com uma parte toda em vidro. Essa casa foi vendida, pra virar mais um prédio de Pinheiros, e a equipe fez um milagre: conseguiu montar não só uma casa nova em outro endereço, mas manter a clientela, e até expandir o público! O Bona foi pra Perdizes, numa travessa da Apinajés, numa casa maior com mezanino, mais lugares e um som animal. A programação tem muita identidade, como shows da família Gil e os 5 à Seco, e os ingressos esgotam com frequência. Além disso, a comida é deliciosa - ponto que reflete na adesão do público.
📍Bona Casa de Música (R. Dr. Paulo Vieira, 101, Sumaré)
🔗Mais informações no Eventim
Fique de olho: Carnaval na Santa Cê
É importante trazer algum Carnaval pra edição, então vamos lá: os amigos do instagram Vila Buarque (que também cobre Santa Cecília e República) estão com a cobertura da festa na rua e falando de bons blocos fora do esquemão. Vai lá:
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Essa é a primeira edição da newsletter de 2026 e ela existe por que esse ano, em 10 de janeiro, completam-se dez anos da morte de David Bowie — presença constante no meu repertório cultural e no meu jeito de olhar o mundo. Essa edição não quer nem tenta “dar conta” de tudo. Seria impossível.
























