Tá Todo Mundo Tentando: ser outsider
Freaks, doidões e por que não é possível ser hoje o que fomos no passado.
Oi,
Estou em franco processo de mudança. Falei disso na edição da semana passada, escrevendo sobre a ideia de recomeçar sem romper com o que foi feito. Meu ano virou com o lançamento de um livro que fala diretamente sobre meu passado, uma volta ao meu assunto original, música. Nisso, tem sido inevitável olhar para minha esquisitice interior, aquilo que me faz ser quem sou. Hoje, a edição é para quem também anda se sentindo meio fora do eixo — e começa a achar que isso pode ser uma boa notícia.
A edição de hoje tem outsiders em livro, o Bowie revisitando o próprio mito, sugestões de podcast e leituras, uma homenagem ao Death, e outras coisas mais.
Onde estão os outsiders?
Ser outsider nos anos 2020 é um problema de fôlego.
Os esquisitos, nichados, diferentões — essa turma que não aplaude festival com ingresso proibitivo nem acredita que o algoritmo sabe o que é melhor para ela — continuam por aí. O que mudou foi o custo de sustentar certa dissidência.
Acabei de ler The Freaks Came Out to Write: The Definitive History of the Village Voice, the Radical Paper That Changed American Culture, da Tricia Romano, uma biografia em formato história oral sobre o clássico alt-weekly nova-iorquino fundado em 1955.
É uma história que ajuda a medir essa diferença: contam de um tempo em que um jornalzinho semanal barato, cheio de doidões escrevendo artigos longos, podia bancar infraestrutura suficiente para se manter em circulação. Prato cheio para saudosistas do analógico e do jornalismo inovador. O VV viveu boas décadas, ganhou Pulitzers, teve páginas escritas por gente como Lester Bangs, Allen Ginsberg e Ezra Pound. E encerrou as publicações impressas em 2018, marcando o fim de uma era para o jornalismo impresso. Hoje, existe apenas na internet.
Talvez tenha sido mais ou menos nessa época que começamos a perceber que morte do sonho da internet livre: em vez de um grande campo aberto, ganhamos um condomínio de plataformas privadas que cobram pedágio em forma de globos oculares, dados, autocensura e rage bait.
Nesse cenário, rebeldia (para não dizer valores progressistas) virou quase que um sinônimo de ser nostálgico: lembrar de um tempo em que um texto, um zine, um programa de rádio pareciam ter poder de mudar o mundo. Inocência, claro. Mas saudades dessa inocência, não? Hoje, está todo mundo ocupado demais tentando manter a cabeça fora d’água para se dar ao luxo de pensar. Crítica cultural — a de verdade, que exige tempo, memória, leituras atentas e disposição para o conflito — disputa espaço na lista sisífica dos boletos a pagar.
1.
Uma forma de medir a fadiga é olhar para os palcos que sumiram ou encolheram. O fim do Pitchfork Media, da MTV e do Village Voice como os conhecíamos, o fim dos cadernos (físicos ou digitais) de crítica cultural - dá para montar uma pequena necrológio da mediação crítica mainstream.
Esses lugares tinham defeitos óbvios, mas ofereciam uma coisa difícil de reconstruir: um chão comum. No caso do VV, toda semana um grupo de gente meio amalucada mas muito disposta se reunia para brigar em público sobre cultura, com tempo de apuração e edição.
Sem esses palcos, a topografia se fragmenta. Mas os freaks não desaparecem; eles se espalham.
Hoje, estão em newsletters de nicho, em podcasts falados para poucas centenas (dezenas?) de pessoas, em pequenos cinemas que insistem em mostrar filmes que não chegam ao streaming, em casas de show de bairro que nãocobram ingresso (mas pedem para não entrar com bebida de fora).
Em São Paulo, por exemplo, a cena de pequenas casas, galerias e bares que programam música improvável existe, e é um dos últimos sinais de que ainda podemos tropeçar em algo que o algoritmo não prevê. Taí o Guia da Musica Autoral de SP, feito na raça pelo Bazzan, que não me deixa mentir.
2.
Ser dissidente cultural hoje significa enfrentar não só o mercado, mas a própria infraestrutura da atenção. A balança pende, como sempre, para o lado de quem paga a conta, mas agora isso passa por camadas: a ansiedade de “garantir um espacinho”, o medo de desagradar quem decide editais, quem faz convites e define cachês. Além, claro, da síndrome de protagonismo, nosso mal do século, que transforma até a crítica em performance de si.
Plataformas que prometem alcance cobram, em troca, previsibilidade. Vídeo curto, legenda espertinha, thumbnail impactante. Até quando alguém escreve “contra” isso o faz dentro do mesmo molde: uma rebeldia editada, trabalhada na indignação comportada.
Não é que não exista mais fúria, ou paixão. Mas elas são espremidas entre o cronograma de posts, o medo de cancelamento, a vigilância constante de marcas e o gosto pelas instituições.
Ficar bravo em público custa caro.
3.
Não é surpresa que falte ver gente escrevendo com tesão declarado sobre coisas que não estão na vitrine. Textos longos demais sobre filmes estranhos, leituras obsessivas de discos que não estão em playlists, ensaios que perseguem uma única imagem por páginas. Não o “conteúdo de recomendação” otimizado vendendo produtos que ninguém precisa, mas o comentário apaixonado, o delírio argumentativo, a crítica que se permite ser parcial e implicada.
Quando um ensaio insiste em examinar os buracos de um filme, como faz a Mariana Coutinho , ou quando alguém, como o Fred Costa fez, dedica tempo a esmiuçar a moda recente das casas quadradas — aquilo que dá para chamar, sem muita cerimônia, de arquitetura neoliberal — há ali mais do que uma opinião de consumo. É um exercício de ver o mundo de lado, de apontar para o desconforto e dizer: isso aqui não é neutro.
O que desanima é perceber que esse tipo de exercício é uma exceção cada vez mais rara. Não porque falte gente capaz, mas porque o tempo de quase todo mundo está caro demais para ser gasto em coisas que não se convertem imediatamente em oportunidade.
4.
No meio disso, os outsiders continuam fazendo o que sempre fizeram: montando infraestruturas paralelas. Bandas que lançam discos por selos minúsculos e bancam turnês em circuitos de pequenas casas. Cineastas que vivem de editais magros e sessões em cinematecas. Escritores que constroem newsletters e comunidades pagas pelos leitores.
O preço da independência é ter que aprender a ser gestor de si. Administrar assinaturas, redes, boletins, parcerias, notas fiscais. Negociar com marcas sem se deixar engolir por elas. Estudar contrato, algoritmo, política de uso. A esquisitice persiste, junto com dashboards e planilhas.
Isso torna a dissidência mais cara em outro sentido: sobra menos espaço para errar. O “direito ao erro” que um jornal como o Village Voice oferecia — a possibilidade de trocar de opinião, publicar algo absurdo, comprar briga com instituições, insistir numa pauta improvável e arcar com as consequências na edição seguinte — ficou mais difícil de bancar.
5.
A pergunta que paira: o que você faria se não tivesse que fazer nada?
Se a conta de luz, o aluguel, o algoritmo, o networking desaparecessem por algumas semanas, que tipo de atenção você daria ao que está ao seu redor?
A resposta mais radical, sabemos, não é inventar, mas recuperar o luxo de pensar, promover conversas (e não monólogos), desenhar, escrever, esculpir, criar espaços (físicos ou digitais) em que a obrigação de estar on não existe.
Os outsiders de 2026 já fazem um pouco disso. Nas newsletters que tratam leitores como companhias, clubes de leitura que se reúnem para falar sobre livros a fundo, clubes de escuta que são capazes de ouvir um disco do começo ao fim, cineclubes que apostam numa sessão de terça‑feira para vinte pessoas.
6.
Se a pergunta for “onde estão os outsiders?”, a resposta não é um mapa objetivo, mas um tipo de gesto: estão onde ainda se consegue sustentar, mesmo que por pouco tempo, fricção, aposta e opacidade.
Fricção, porque recusam a lisura total, aceitam o atrito — com o público, com as instituições, consigo mesmos. Aposta, porque continuam fazendo coisas que não têm garantia de retorno, insistindo em formatos e temas que não têm lugar reservado. E opacidade, porque preservam zonas que não são traduzíveis em métricas, releases, dossiês de marca (alguém ainda aguenta dossiê de marca?) — falei mais sobre isso nessa análise sobre dashboard culture na Beet/nick .
O trabalho não é descobrir o novo alt‑weekly milagroso que vai salvar a cultura, mas aceitar que a montagem do quadro geral virou tarefa distribuída. E então decidir, com o tempo e o fôlego que se tem, onde vale a pena colocar a própria estranheza em jogo — e com quem.
7.
No meio desse cenário achatado, o texto do Ted Gioia sobre o “retorno do weirdo” funciona como contra‑diagnóstico: tudo está tão liso, tão repetitivo e tão cinza, que é inevitável que o estranho volte a causar rupturas:
Gioia aposta em um limite para o tédio imposto de cima para baixo. Em algum momento, a cultura começa a rejeitar essa dieta de conteúdos previsíveis e recomendações algoritimicas, e o que insiste em ser esquisito deixa de parecer inconveniente e passa a ser necessário.
Ele descreve um mundo em que até a cor saiu de cena — eletrodomésticos, roupas, interfaces, tudo converge para uma paleta de cinzas e brancos — enquanto as indústrias criativas investem bilhões em reciclar o passado: catálogos de catálogo, remakes de remakes, IA treinada para mastigar todo o arquivo conhecido e devolver versões ligeiramente reorganizadas do mesmo.
Nesse contexto, o outsider não é só quem faz diferente por temperamento. É quem recusa participar desse loop. O “weirdo” de que Gioia fala é, na prática, alguém disposto a reintroduzir fricção. Punks de alma. Existe um otimismo discreto aí: a própria saturação da lisura cria as condições para uma rebelião estética.
Deve ser esse o lugar atual dos outsiders: um passo à frente, suportando o desconforto do deslocamento.
David Bowie da semana: olhando para o passado
Entre os muitos modos de Bowie revisitar o próprio trabalho, dois momentos se destacam como verdadeiros laboratórios de auto‑leitura: Scary Monsters (and Super Creeps) (1980) e The Next Day (2013).
Com trinta e três anos de intervalo, os dois álbuns tratam o passado como material crítico, reorganizando personagens, sonoridades e imagens. O primeiro, para encerrar um ciclo no fim dos anos 1970. O segundo, para retornar ao próprio mito.
Em Scary Monsters, a leitura de si é clara: “Ashes to Ashes” reabre a história de Major Tom, desmontando o herói espacial de “Space Oddity” em figura marcada pelo vício e pela ressaca do sonho sessentista, enquanto “Teenage Wildlife” expõe a irritação e a curiosidade de Bowie diante de uma geração de “próximos Bowies” que já falava sua língua estética. O disco condensa a trilogia de Berlim e a experimentação dos anos 1970 em um formato mais direto, sem perder a estranheza, e marca o ponto de virada em que o artista encara a missão de lidar com a própria influência.
Entrevistas desse período reforçam essa sensação de ajuste de contas. Bowie falou sobre um sentimento de inadequação em relação à própria obra e de reavaliação contínua de tudo que fez, num movimento em que a fala pública funciona como extensão das letras: um lugar para testar versões da própria biografia, corrigir mitos, deixar outros em suspensão.
Quando The Next Day aparece, o cenário é outro: Bowie retorna após um longo silêncio, com a carreira já cristalizada em exposições, retrospectivas, presença obrigatória em listas de clássicos. O gesto é de lidar com a própria canonização. A capa que intervém em “Heroes” com um quadrado branco, os ecos de discos anteriores espalhados pelas faixas e a melancolia geográfica de “Where Are We Now?” apresentam um artista que aceita seu arquivo monumental como dado, mas recusa trata‑lo como peça de museu; em vez disso, corta, cola e reposiciona seus próprios ícones
Nessa chave, The Next Day dialoga diretamente com Scary Monsters, mas em outra altura da curva: quanto o álbum de 1980 reage à descoberta de que Bowie está sendo imitado, o de 2013 parte do fato de que Bowie é patrimônio; o que está em jogo não é seguir adiante, mas conviver com décadas de imagens e narrativas acumuladas - com erros, inclusive. As auto‑citações, os ruídos de guerra, as figuras espectrais e a sensação de “volta sem grande anúncio” produzem um retrato do que é envelhecer em público
Em conjunto, os álbuns oferecem um mapa para quem reler Bowie hoje, mostrando um artista que, em momentos diferentes, se recusa tanto à nostalgia confortável quanto ao cinismo total. Em vez de celebrar ou descartar o passado, escolhe o reencenar, reescrever e, às vezes, sabotar.
🔗 Saiba mais
Review The Next Day (The Quietus, 2013)
Scary Monsters at 40 (Pushing Ahead of the Dame, 2020)
Zeladoria: como começar a ouvir Bowie (2026)
Newsletter amiga da semana: Torpedo
Na edição 74 da Torpedo, Thales de Menezes faz algo que a TTMT aprecia muito: olhar para uma figura em evidência e puxar o fio. O objeto de estudo é a carreira de Jessie Buckley e o ponto de partida é o elogiadérrimo e potencialmente oscarizável Hamnet. O texto se abre para uma retrospectiva cuidadosa da carreira de Buckley também na música, mostrando uma faceta impressionante como cantora:
🔗 Dicas da Insider
O Filmes Para Ouvir escreveu sobre o clássico A Band Called Death, que resgata a história do Death, trio formado por irmãos negros em Detroit que tocava punk antes de o punk ter nome. Para além de curiosidade histórico-musical, a importância do documentário está no que ele revela sobre apagamento cultural, mercado, raça e a recusa em se moldar. Veja/siga no Instagram:
Em reportagem de Beatriz Sardinha publicada no final de 2025, o PublishNews falou sobre como livrarias de rua usam arquitetura, mobiliário e curadoria como formas de expressão, indo além do cenário neutro para a venda de livros. Em São Paulo, esse movimento aparece com força em espaços como a Aigo Livros, que dialoga diretamente com a diversidade cultural do bairro; a Megafauna, cuja disposição frontal das capas cria conversa permanente entre curadoria e leitor; a Miúda, pensada para autonomia infantil e permanência; e a Na Nuvem, que assume o entorno como parte ativa da experiência. Leia no site.
No Music Non Stop, o Jota Wagner escreve sobre uma instalação no Itaú Cultural que celebra capas de discos brasileiros entre 1960 e 1990. Em formato de uma loja de discos, a mostra trata a capa como linguagem, memória e gesto gráfico, e garante um passeio por design, história cultural e pela ideia de que, em muitos casos, a imagem moldou tanto o imaginário quanto o som. Leia no site.
Na edição de janeiro da Quatro Cinco Um, o crítico e colunista Paulo Roberto Pires faz uma crítica irônica à cultura dos influenciadores literários e à transformação da leitura em meta e mercadoria. O texto desmonta a lógica da “dica reconfortante”, do livro como acessório de produtividade e da adjetivação vazia que substitui o pensamento crítico. No centro do argumento está a defesa da autonomia do leitor — ler por curiosidade, intuição e prazer, não por prescrição algorítmica ou checklist de hábitos. Faltou falar do quanto o jornalismo cultural atual abre espaço (ou cachês) para novas vozes fora do esquemão - um dos motivos que faz muita gente dar a cara a tapa e criar seus próprios canais (pro bem e pro mal). Leia no site.
No episódio mais recente do Fashion Neurosis, a Bella Freud recebe o crítico e curador Hilton Als para uma conversa que começa em roupa (ele conta que já usou a meia-calça da mãe por baixo do jeans) e vai abrindo para questões como a ideia de amor como força que atravessa estilo, vergonha e sobrevivência. Als é um autêntico outsider, que começou a carreira no Village Voice, e sua voz cai bem em podcast que comumente traz personalidades originais (e bem sucedidas em suas originalidades) para conversas profundas sobre memória, desejo e expressão. Ouça/siga no site.
Em janeiro, o foco da Insider é vestir conforto sem apagar forma: peças que acompanham o corpo em movimento e funcionam em casa, no trabalho, nos deslocamentos e nos descansos. Aqui indico três peças que realmente tenho no armário e estou usando e amando:
the perfect top: regata justinha de uso diário, com toque leve e bojo removível, pensada para funcionar sozinha ou em sobreposição. Vem em cores como woodsmoke, cinnamon pink, beetroot e rust brown (além dos básicos preto, azul e branco) em kits de uma, duas ou três peças.
a calça reta ajustável de tecido leve: calça de tecido tecnológico leve, que dispensa passadoria e permite ajustar o caimento conforme o dia, equilibrando conforto e desenho urbano. Em azul-marinho tem um jeito bem chic, e também tem em khaki e preto.
o boné sixx: em azul, preto ou cinza, o boné de inspiração 90s tem tecido hidrorepelente e interior que evapora o suor, feito para uso contínuo na cidade. Tô em fase de deixar o cabelo crescer e comprei um que virou meu melhor amigo.



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No passado eu fui straight-edge, li fanzines escritos por uma galera "mais velha" (que na época que eu tinha 15, eles uns 20), umas riot grrrls, depois virei da turma da Torre do Dr Zero (também bem mais velha que eu), ao mesmo tempo que flertava com a galera do skate e cresci escutando punk rock / emo (de verdade, não os dos anos 2000). Quando penso nessa época, não sinto saudade, mas sinto que foi formação do meu caráter. Tenho a mesma sensação que você, que sou uma doidona às vezes tentando parecer encaixada. Sou nutricionista, e acho a galera da minha profissão muito cafona e quando tento me encaixar me sinto ridícula e arrisco dizer que minha cliente também. Sei lá, também estou tentando descobrir o que é ser rebelde em 2026. Hoje minha rebeldia talvez se traduza em treinar às 9 da manhã, fazer minha própria comida, comer sardinha na praia...?
que texto maravilhoso!!! me conectei com várias coisas e senti um quentinho de, muitas vezes, estar num lugar que muita gente não entende... viva os outsiders (e por mais outsiders!). <3